Em todas as frases a seguir há exemplos de coesão referencial com pronomes. Assinale a opção em que o pronome substituto do termo sublinhado está mal classificado.
- A)Os livros foram inadvertidamente queimados, mas, para consolo, eles não tinham custado caro. / pronome pessoal.
Certa: “eles” é pronome pessoal do caso reto, retomando “os livros”.
- B)Vasco e Flamengo se apresentaram no Maracanã, mas nenhum dos dois jogou nada. / pronome indefinido.
Certa: “nenhum dos dois” é pronome indefinido, pois generaliza e exclui ambos os elementos.
- C)Meu pai não leu o seu livro. / pronome possessivo.
Certa: “seu” é pronome possessivo, retomando a posse ligada a “pai”.
- D)Gostou do sapato preto, mas comprou estes. / pronome demonstrativo.
Certa: “estes” é pronome demonstrativo, substituindo e apontando para o elemento mencionado.
- E)Os dois bandidos confessaram, mas qual deles disse a verdade? / pronome relativo.
Errada: “qual” não é pronome relativo nesse contexto, mas pronome interrogativo, e a classificação dada ao substituto está incorreta.
Gabarito: E
A questão explora coesão referencial por pronomes, isto é, quando um pronome retoma um termo já mencionado para evitar repetição. Na prova, o que interessa é identificar se a classificação gramatical do pronome está correta. Em linguagem de concurso, isso é o tipo de detalhe que a banca adora: o pronome pode até fazer a substituição direitinho, mas a classe gramatical precisa estar certa. Na alternativa E, o termo retomado é “os dois bandidos”. A expressão “qual deles” não traz pronome relativo. Aqui, “qual” funciona como pronome interrogativo, porque introduz uma pergunta indireta sobre a identidade de um entre dois elementos. Já “deles” retoma os bandidos, com valor possessivo/preposicionado, e não altera essa classificação. Por isso o gabarito é E: a classificação “pronome relativo” está errada. Pronome relativo é o que normalmente retoma um antecedente e liga duas orações, como em “o homem que chegou”. Em “qual deles disse a verdade?”, não há esse papel de ligação típica do relativo; há uma pergunta sobre qual membro do grupo praticou a ação. Resumo prático: se houver ideia de pergunta, escolha o radar do interrogativo; se houver retomada com ligação entre orações, pense em relativo. É esse detalhe fino que separa o acerto elegante do tropeço clássico.