Assinale a frase abaixo em que a linguagem mostra sinais de oralidade.
- A)Otimista é a pessoa que espera no carro com o motor ligado enquanto outra pessoa faz compras.
Errada, porque a frase tem tom de definição bem construída e humor de aforismo, sem marcas fortes de fala espontânea.
- B)Qualquer caminho conduz ao fim do mundo.
Errada, pois é uma frase curta, geral e sentenciosa, com estilo mais formal e proverbial do que oral.
- C)De onde menos se espera é que não sai nada mesmo.
Certa, porque apresenta coloquialismo e ritmo de fala, com construção espontânea e expressão típica da oralidade.
- D)Quem está embaixo não pode cair mais fundo.
Errada, já que a frase é enxuta e de aparência proverbial, mais próxima de uma máxima escrita do que de fala cotidiana.
- E)Minha atitude é a de que nada é impossível... Só demora mais um pouco.
Errada, porque apesar do tom leve, a frase é elaborada como pensamento aforístico, não como marca clara de oralidade.
Gabarito: C
A questão pede que você reconheça marcas de oralidade, isto é, traços de fala espontânea no texto escrito. Em geral, isso aparece em construções mais coloquiais, repetições, encaixes menos formais e expressões que soam como conversa do dia a dia, sem aquele acabamento mais solene da norma culta escrita. Em prova da FGV, vale ficar atento ao efeito de naturalidade, como se a frase tivesse saído de uma fala rápida, com certa improvisação. As demais alternativas têm estrutura mais aforística, sentenciosa ou formulada com linguagem mais cuidada. Já a letra C chama atenção porque traz uma construção típica da oralidade: "De onde menos se espera é que não sai nada mesmo". Esse "mesmo" no fim, junto com a frase quebrada em ritmo de fala, reforça o tom conversado e espontâneo. Parece comentário de alguém falando sem polir demais a frase, bem próximo da linguagem cotidiana. Além disso, a estrutura "é que" em destaque ajuda a produzir um efeito de oralização e de ênfase, muito comum na fala. A frase não busca elegância literária nem neutralidade formal; ela quer soar viva, coloquial, quase como uma resposta irônica de conversa. É esse sabor de fala que a banca quer que você perceba. Em resumo: quando a questão pedir oralidade, procure marcas de espontaneidade, coloquialismo e construção menos rígida. Aqui, a alternativa C se destaca justamente por isso, enquanto as outras soam mais como provérbios, máximas ou frases lapidadas.