Observe o seguinte diálogo: Olhando um local de assistência social: (P1) Olha, aqui dão os carnês de doações para a organização dos Médicos sem Fronteiras. (P2) Ah, é aqui que os médicos sabem para onde vão? Assinale a opção que indica a observação correta sobre o significado e a estruturação desse pequeno diálogo.
- A)O ouvinte da primeira frase entendeu o nome da organização como desconhecimento da origem das doações.
Errada, porque P2 não entendeu o nome da organização como desconhecimento da origem das doações, e sim fez uma leitura literal e irônica do enunciado.
- B)Em nada modificaria o entendimento do diálogo se os interlocutores desconhecessem a organização citada.
Errada, porque o entendimento do diálogo depende sim do conhecimento prévio sobre a organização mencionada.
- C)No nome da organização a expressão “sem Fronteiras” alude a países muito pobres, que ainda não possuem suas fronteiras demarcadas.
Errada, porque "sem Fronteiras" não se refere a países pobres sem demarcação territorial, mas ao nome de uma ONG de atuação internacional.
- D)Para o entendimento da primeira frase do diálogo é preciso certo conhecimento de mundo, como, por exemplo, saber da existência da organização citada.
Certa, porque a compreensão da primeira fala exige conhecimento de mundo, inclusive saber que "Médicos sem Fronteiras" é uma organização existente.
- E)Na frase do interlocutor P2 há um erro gramatical, pois “para onde” deve ser substituído por “para aonde”.
Errada, porque "para onde" está correto no contexto e não há obrigatoriedade de trocar por "para aonde".
Gabarito: D
Esse diálogo brinca com um fenômeno muito comum na interpretação de textos: a ambiguidade e o uso de conhecimento de mundo. A primeira fala parece simples, mas só faz sentido completo para quem reconhece que "Médicos sem Fronteiras" é o nome de uma organização humanitária. Sem essa informação prévia, a frase pode ser entendida de forma estranha ou literal, e é justamente aí que mora a graça do diálogo. Na leitura, você não depende só das palavras isoladas. Você ativa repertório, contexto e experiências anteriores para reconstruir o sentido. É por isso que, em provas de interpretação, a banca gosta de testar se você percebe que o texto pressupõe conhecimentos compartilhados entre falante e ouvinte. Isso é básico em linguística textual: o sentido nasce da interação entre texto e contexto, não apenas da gramática solta. No diálogo, P2 interpreta "Médicos sem Fronteiras" ao pé da letra e faz uma pergunta absurda, como se estivesse falando de médicos que "sabem para onde vão". O humor está exatamente nessa leitura equivocada. Portanto, a observação correta é que, para entender a primeira fala, é preciso conhecer a organização citada ou ao menos saber que se trata de uma entidade real com esse nome. Por isso o gabarito é a alternativa D. A questão não cobra norma gramatical, e sim interpretação apoiada em conhecimento de mundo. Em provas da FGV, esse tipo de item é clássico: ela adora uma frase aparentemente inocente para verificar se você percebe pressupostos, implícitos e efeitos de sentido.