Falando de seus amores na vida, um personagem de Machado de Assis, declara: Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis. Nesse caso, a relação amorosa mostrou um(a)
- A)sentimento puro.
Errada, porque o trecho não sugere pureza sentimental, mas sim uma relação marcada por cálculo e interesse.
- B)duração efêmera.
Errada, porque a ideia central não é a curta duração do namoro, e sim a vinculação do afeto ao dinheiro.
- C)conexão profunda.
Errada, porque não há sinal de vínculo emocional profundo; o texto faz justamente o contrário, com tom irônico e materialista.
- D)interesse financeiro.
Certa, porque a menção a "onze contos de réis" indica que a relação teve motivação financeira, e não apenas amorosa.
- E)intensidade sentimental.
Errada, porque o texto não destaca intensidade amorosa, mas ironiza o amor como algo condicionado por pagamento.
Gabarito: D
A frase de Machado de Assis é um exemplo clássico de ironia: o narrador mistura amor e dinheiro na mesma medida, como se o sentimento pudesse ser contado em contos de réis. Isso já entrega a crítica machadiana: a relação não é idealizada nem pura, mas marcada por interesse material. Em vez de falar em romantismo, o trecho sugere que o afeto veio junto com vantagem econômica. Na interpretação de texto, você deve sempre observar o que está dito de forma literal e o que fica implícito. Aqui, a expressão "quinze meses e onze contos de réis" aproxima o amor de uma transação, quase como se tivesse preço e prazo. Esse tipo de construção é muito comum em Machado, que costuma usar ironia para revelar a sociedade e suas conveniências. Por isso, o gabarito é a alternativa D. A relação amorosa mostrou interesse financeiro, porque o enunciado associa o amor ao valor pago ou recebido, e não a um sentimento desinteressado. Em resumo: quando o texto faz o romance cheirar a contabilidade, o amor saiu pela porta e o dinheiro entrou pela janela.