Leia o trecho a seguir. O incêndio, que ainda não havia chegado à sala da biblioteca, jogava sobre o teto um reflexo rosa... Todos os esplendores surgiam: a hidra negra e o dragão escarlate apareciam na fumaça disforme, exageradamente escura e vermelha. Longas chamas brilhavam ao longe e iluminavam a sombra, como cometas combatentes correndo uns atrás dos outros. Já tinham sido feitos na parede do terceiro andar buracos enormes por onde as brasas derramavam cascatas de pedrarias. Victor Hugo. A função das comparações e das metáforas desse texto é, predominantemente,
- A)explicativa.
Errada, porque o trecho não usa comparações e metáforas para explicar algo de modo objetivo, mas para criar imagem literária.
- B)avaliativa irônica.
Errada, pois não há ironia nem contraste crítico; o tom é imagético e artístico, não de zombaria ou sarcasmo.
- C)criativa ou poética.
Certa, porque as metáforas e comparações constroem uma cena literária intensa e expressiva, com função predominantemente poética.
- D)avaliativa valorizadora.
Errada, já que o texto não busca enaltecer ou elogiar um objeto de forma valorativa, e sim criar efeito estético.
- E)avaliativa desvalorizadora.
Errada, porque não há intenção de depreciar o incêndio, mas de representá-lo de modo vívido e imaginativo.
Gabarito: C
Aqui a banca quer saber para que servem as comparações e metáforas no trecho. Repare que o incêndio não é descrito de modo seco, literal e “técnico”; ele ganha imagens fortes, quase cinematográficas: hidra negra, dragão escarlate, cometas combatentes, cascatas de pedrarias. Isso é linguagem figurada em ação, pintando a cena com intensidade e imaginação. Quando o texto usa metáforas e comparações desse tipo, a função predominante é estética, expressiva, ligada à criação de imagens e sensações. Em vez de só informar que há fogo, o autor transforma o incêndio em espetáculo visual e poético. É o tipo de recurso que faz o leitor enxergar e sentir a cena, não apenas entendê-la. Por isso, o gabarito é a letra C. A linguagem é claramente criativa ou poética, porque a intenção principal não é explicar nem julgar o incêndio, mas dar beleza, força e vivacidade à descrição. Em provas da FGV, vale ficar atento: quando a figura de linguagem serve para construir imagem literária e efeito estético, o caminho costuma ser esse.