Assinale a frase em que houve troca indevida entre mal/mau.
- A)O mal nunca desapareceu da face da Terra.
Correta: mal está empregado como substantivo, no sentido de aquilo que é contrário ao bem.
- B)O mau-agradecido nunca reaparece.
Errada: o correto é mal-agradecido, pois a ideia é de agradecer mal, isto é, ser ingrato, e não de ser “mau” por natureza.
- C)Um mau sujeito não serve como companhia.
Correta: mau é adjetivo e qualifica “sujeito”, com sentido de ruim ou de má índole.
- D)Trabalhar mal é problema do mau operário.
Correta: mal é advérbio em “trabalhar mal” e mau é adjetivo em “mau operário”.
- E)O juiz foi acusado de escrever mal.
Correta: mal é advérbio, oposto de bem, indicando a maneira como o juiz teria escrito.
Gabarito: B
A dupla mal/mau costuma derrubar muita gente porque as duas palavras soam quase iguais, mas cumprem funções diferentes. Pense assim: mal costuma andar com a ideia de bem, podendo ser advérbio, substantivo ou conjunção; já mau faz par com bom e é, em regra, adjetivo. Se você troca uma pela outra, a frase até fica “bonita” no ouvido, mas gramaticalmente pode escorregar feio. Na questão, a alternativa B erra porque a forma correta é mal-agradecido, com mal, já que a ideia é de alguém que agradece mal, isto é, de modo ingrato. Aqui não cabe mau, porque mau qualificaria uma pessoa como má, ruim, e não o modo como ela agradece. É a diferença entre “feito de modo ruim” e “ser ruim”. As demais alternativas estão corretas: em A, mal aparece como substantivo; em C, mau qualifica sujeito; em D, mal é advérbio em “trabalhar mal” e mau qualifica operário; em E, mal também é advérbio em “escrever mal”. A FGV gosta dessa distinção simples, mas adora colocar a palavra “travestida” da forma errada para ver se você confunde sentido com função. Resumo de prova: se a ideia for oposição a bom, use mau; se a ideia for oposição a bem, use mal. E, em composições como mal-humorado, mal-agradecido e semelhantes, o primeiro termo preserva essa noção de modo desfavorável, não de qualidade moral.