Um turista brasileiro, que viveu 50 anos nos Estados Unidos, ao chegar ao Rio não pôde compreender uma manchete de um jornal carioca. Nessa circunstância comunicativa, o fracasso da comunicação se deve à(ao)
- A)falta de clareza na linguagem empregada.
Errada, porque a manchete pode ser clara e ainda assim não ser compreendida por quem não domina o código usado.
- B)desconhecimento do código pelo receptor.
Certa, pois o fracasso da comunicação ocorre quando o receptor não conhece o código necessário para decodificar a mensagem.
- C)canal inadequado de comunicação.
Errada, porque o canal existe e está funcionando, já que a informação chegou ao leitor por meio do jornal.
- D)formulação inadequada da mensagem.
Errada, pois o problema não é a formulação da mensagem em si, mas a incapacidade do receptor de interpretá-la.
- E)deficiência na linguagem empregada pelo jornal.
Errada, porque o enunciado não aponta deficiência da linguagem do jornal, e sim dificuldade de compreensão do leitor.
Gabarito: B
Nesta questão, a banca trabalha um ponto básico da teoria da comunicação: para haver compreensão, emissor e receptor precisam compartilhar o mesmo código, isto é, o mesmo sistema de signos. Se você fala português e a outra pessoa só domina inglês, a mensagem até pode existir, mas a decodificação falha. Comunicação não é só enviar conteúdo; é fazer o outro entender o que foi enviado. No enunciado, o turista viveu 50 anos nos Estados Unidos e não conseguiu compreender uma manchete de jornal carioca. O problema não está no jornal, nem no canal, nem na existência da mensagem. O obstáculo está no receptor, que não domina o código usado na manchete. É como receber uma senha em uma língua que você não conhece: a informação chegou, mas não foi interpretada. Por isso, o gabarito é a letra B. Em termos da função da linguagem e do esquema clássico de comunicação, a mensagem depende da codificação pelo emissor e da decodificação pelo receptor. Se o receptor desconhece o código, a comunicação fracassa. Esse é um conceito muito cobrado em provas: erro de comunicação por falta de compartilhamento do código. Na prática, a FGV gosta de trocar o nome da falha para ver se você confunde código com canal, mensagem ou clareza. Aqui, nada indica defeito de redação do jornal; o ponto central é o entendimento do sistema linguístico pelo leitor.