Assinale a opção em que o verbo fazer funciona como elemento de coesão, substituindo todo o predicado.
- A)As crianças, no zoológico, brincaram com todos os animais, mas os pais não faziam o mesmo.
Certa: “faziam o mesmo” retoma todo o predicado anterior e substitui a ação de brincar com todos os animais.
- B)Os professores da turma fizeram, com os alunos, todos os exercícios do livro.
Errada: “fizeram” tem sentido literal de realizar os exercícios, sem retomar um predicado anterior.
- C)Nunca mais se fez nada igual no Brasil.
Errada: “se fez” está em construção impessoal e não funciona como substituição coesiva de um predicado já expresso.
- D)Os meninos e as meninas fizeram os mesmos desenhos.
Errada: “fizeram os mesmos desenhos” indica produção concreta de desenhos, não retomada de ação anterior.
- E)A costureira, com paciência, fez as casas dos botões.
Errada: “fez as casas dos botões” significa confeccionar as casas, em sentido próprio, sem coesão anafórica.
Gabarito: A
Na sintaxe, o verbo fazer pode aparecer com valor anafórico, isto é, retomando uma informação já dita para evitar repetição. Nesse uso, ele funciona como elemento de coesão textual: em vez de repetir todo o predicado anterior, o texto recorre a fazer para reaproveitar a ação mencionada. É o tipo de economia que deixa a frase mais leve e o parágrafo menos “tremendo de repetição”. Na alternativa A, isso acontece claramente: “As crianças, no zoológico, brincaram com todos os animais, mas os pais não faziam o mesmo.” O verbo “faziam” não quer dizer “executavam algo” de forma concreta; ele retoma o predicado “brincar com todos os animais”. Ou seja, “faziam o mesmo” equivale a “brincavam com todos os animais”. Esse uso é muito comum com expressões como “fazer o mesmo”, “fazer igual” e “fazer assim”, em que fazer substitui a ação anterior inteira. Em termos práticos, você deve desconfiar quando o verbo não está descrevendo uma atividade nova, mas apenas apontando para algo que já apareceu antes no texto. As demais alternativas usam fazer no sentido literal, com complemento direto, sem essa função de retomada textual. Por isso, a banca FGV cobra justamente essa leitura mais fina da coesão: não basta ver o verbo, você precisa perceber se ele está nomeando uma ação ou apenas substituindo uma ação já dita.