Leia o texto a seguir. O grande desafio do momento atual é equacionar a tensão que se instala entre conceder maior autonomia à infância e à adolescência, direito de voz e de participação política, com vistas ao alcance daquilo que definimos como meta para atingirmos a excelência humana, portanto a felicidade, e o risco de que esta prática possa favorecer uma certa omissão dos adultos e das instituições. SOUZA, S. J. Criança e adolescente: construção histórica e social das concepções de proteção, direitos e participação. In: Criança e adolescente. Direitos e sexualidades. São Paulo: ABMP e Childhood Brasil. Assinale a opção que apresenta, corretamente, a tensão exposta no texto.
- A)A maior autonomia das crianças e adolescentes pode aumentar o risco de negligência dos adultos.
Correta, porque traduz fielmente a tensão entre ampliar a autonomia dos jovens e o risco de omissão dos adultos e instituições.
- B)O privilégio dos deveres das crianças dificulta sua autonomia e a proteção dos seus direitos.
Errada, porque o texto não fala em privilégio de deveres das crianças, mas em autonomia, voz e participação política.
- C)A autonomia de crianças e adolescentes deve ser limitada para preservar a estrutura institucional.
Errada, porque o texto não defende limitar a autonomia para preservar instituições; ele aponta um risco dessa autonomia ser mal conduzida.
- D)O equilíbrio entre a liberdade de crianças e adolescentes dificulta sua participação política.
Errada, porque o texto diz o contrário: a participação política é justamente um dos aspectos valorizados pela maior autonomia.
- E)A exclusão de crianças e adolescentes da vida política é uma forma de promover sua proteção.
Errada, porque o texto não propõe excluir crianças e adolescentes da vida política, e sim ampliar sua voz com responsabilidade adulta.
Gabarito: A
O texto trabalha uma ideia bem comum em questões de interpretação da FGV: há uma tensão, isto é, um conflito de equilíbrio, entre ampliar a autonomia de crianças e adolescentes e evitar que os adultos se omitam. Em outras palavras, não se trata de dar liberdade “sem rédea”, mas de reconhecer voz, participação política e protagonismo sem abandonar o dever de proteção. Perceba que o enunciado fala em “conceder maior autonomia” e, ao mesmo tempo, em “risco de que esta prática possa favorecer uma certa omissão dos adultos e das instituições”. Então o autor aponta dois polos: de um lado, mais espaço de fala e participação; de outro, o perigo de deixar a responsabilidade adulta escorregar pela janela. É por isso que o gabarito é a alternativa A. Ela resume exatamente essa relação: a maior autonomia de crianças e adolescentes pode, sim, aumentar o risco de negligência ou omissão dos adultos. O texto não condena a autonomia, mas alerta para o cuidado de não transformar autonomia em abandono. Se você quiser ligar isso a uma base mais conhecida, o raciocínio conversa com a lógica do ECA, que protege crianças e adolescentes com prioridade absoluta, sem negar sua participação progressiva na vida social. A ideia central é equilíbrio: ouvir mais, participar mais, mas sem largar a mão da proteção.