Nosso poeta Gregório de Matos escreveu: “Quem de dinheiro dispuser pode fazer o que quiser”. Nesse pensamento há uma oração substantiva que pode ser substituída por um substantivo de significado equivalente: o endinheirado. O mesmo processo foi feito nas frases a seguir. Assinale a opção em que isso foi realizado de forma adequada.
- A)Quem espera nunca alcança. / O desesperado.
Errada, porque “quem espera nunca alcança” não significa “o desesperado”, já que esperar não é o mesmo que estar sem esperança.
- B)Deus ajuda a quem cedo madruga. /O insone.
Errada, porque “quem cedo madruga” indica quem acorda cedo, não “o insone”, que é quem não consegue dormir.
- C)Quem tem boca vai a Roma. / O desbocado.
Errada, porque “quem tem boca vai a Roma” fala de quem sabe pedir informação, não de “o desbocado”, que é quem fala demais ou de forma inconveniente.
- D)Quem com ferro fere com ferro será ferido. / O ferreiro.
Errada, porque a frase fala de quem fere com ferro, e “ferreiro” é o profissional que trabalha com ferro, não quem pratica a ação descrita.
- E)Quem ficar com vida verá. / O sobrevivente.
Certa, porque “quem ficar com vida” equivale a “o sobrevivente”, isto é, aquele que permanecer vivo.
Gabarito: E
A questão explora a substituição de uma oração por um substantivo de valor equivalente. Isso acontece quando a ideia inteira da oração é condensada em um nome, como em “o endinheirado”, “o sobrevivente”, “o desesperado” etc. Em provas da FGV, o truque costuma ser esse: você lê a oração e pergunta qual substantivo resume a mesma ideia, sem mudar o sentido. No enunciado, “Quem de dinheiro dispuser pode fazer o que quiser” foi resumido por “o endinheirado”. A lógica é a mesma em “Quem ficar com vida verá”, porque a expressão indica exatamente a pessoa que sobreviverá. Ou seja, a oração “quem ficar com vida” vira o substantivo “o sobrevivente”, com o mesmo valor semântico. Por isso a alternativa E está correta: ela faz uma paráfrase nominal fiel, sem forçar sentido nem trocar a ideia principal. Aqui não basta achar uma palavra parecida, ela precisa representar o conteúdo da oração inteira. Em linguagem de concurso, pense assim: a oração funciona como um rótulo para uma pessoa ou situação. Se o rótulo escolhido resume bem a ideia, acertou; se muda o sentido, a banca derruba com carinho e sem piedade.