A coerência é outra marca de textualidade, que se refere às ligações de sentido em relação ao mundo conhecido ou ao mundo textual criado. Assinale a frase a seguir que se mostra inteiramente coerente.
- A)Os velhos deviam ser saudados ao nascerem.
Incoerente, porque ninguém é saudado ao nascer já como velho, o que quebra a lógica temporal e semântica da frase.
- B)Se você não entrar no Banco, quando sair não vai ter dinheiro.
Incoerente, pois a relação entre entrar no banco e sair com dinheiro é apresentada de modo causal errado e sem sentido literal consistente.
- C)Um bom policial acerta o tiro antes de ter disparado.
Incoerente, porque é impossível acertar um tiro antes de dispará-lo, o que cria uma contradição lógica evidente.
- D)Nem tudo que reluz é ouro, nem tudo que balança, cai.
Coerente, pois junta duas expressões proverbiais que mantêm sentido lógico e produzem uma ideia geral compatível.
- E)Com uma imensa herança não ficou rico, só tem dinheiro.
Incoerente, porque a frase opõe herança imensa e falta de riqueza de modo contraditório e pouco natural, quebrando a coerência.
Gabarito: D
Coerência é a ligação de sentido que faz o texto “fechar” direitinho, sem tropeços lógicos. Em prova de Português, a banca adora misturar frases com aparência de ditado, paradoxo ou humor, mas que na prática quebram a lógica interna ou a relação com o mundo real. Se a frase não combina suas ideias de forma plausível, ela perde coerência. Aqui, a chave é perceber que a frase precisa ser entendida como um enunciado já pronto, com sentido completo e aceitável. A banca FGV costuma explorar justamente isso: frases com inversão de sentido, contradição, causa e efeito mal encaixados ou imagens sem conexão lógica. Não basta a frase soar bonita; ela precisa fazer sentido. A alternativa D é coerente porque usa dois provérbios conhecidos e perfeitamente compatíveis entre si: “Nem tudo que reluz é ouro” e “nem tudo que balança, cai”. A primeira parte alerta que aparência pode enganar; a segunda reforça a ideia de que nem tudo que parece instável necessariamente desaba. As duas metades se articulam sem contradição e produzem um sentido geral coeso. Já as demais alternativas trazem relações absurdas, deslocadas ou paradoxais demais para manter coerência. Em prova, vale desconfiar de frases que parecem inteligentes, mas misturam tempo, causa e efeito ou expectativa e resultado de um jeito improvável demais.