A coesão é uma das marcas da textualidade, que se encarrega das relações entre termos de um texto. Assinale frase a seguir que não apresenta uma catáfora (um termo substituto que se refere a um termo posterior).
- A)O melhor amigo de um homem é Deus.
Há antecipação do termo posterior, porque a estrutura "de um homem" completa a ideia inicial, configurando catáfora.
- B)O café, os ovos, tudo custa muito caro.
Não há catáfora, porque "tudo" retoma os elementos já citados anteriormente e funciona como anáfora.
- C)Acho que o campeão do Brasil deste ano vai ser o Palmeiras.
O trecho "que o campeão do Brasil deste ano vai ser o Palmeiras" apresenta a informação posterior antecipada por "acho que", caracterizando catáfora.
- D)Ele é um tremendo craque, esse tal de Coutinho.
O pronome "Ele" é explicado depois por "esse tal de Coutinho", então há referência antecipadora e, portanto, catáfora.
- E)Isso é o que mais me perturba: a falta de tempo.
O pronome "Isso" antecipa a explicação que vem em seguida, "a falta de tempo", o que configura catáfora.
Gabarito: B
Catáfora é a antecipação: a palavra vem antes e aponta para algo que ainda será dito. Pense nela como uma placa na estrada dizendo "vem aí". Já a anáfora faz o caminho inverso: retoma algo que já apareceu no texto. Em questões de coesão, a FGV gosta de testar esse jogo de ida e volta entre os termos. Se o elemento pronominal, demonstrativo ou equivalente anuncia um conteúdo posterior, há catáfora. Se ele retoma um conteúdo anterior, há anáfora. Esse detalhe é clássico na doutrina de coesão textual, especialmente em estudos de referência e substituição. Na alternativa B, "O café, os ovos, tudo custa muito caro.", o termo "tudo" não antecipa nada. Ele resume e retoma os itens já mencionados antes: "o café" e "os ovos". Portanto, aqui temos anáfora, não catáfora. É justamente por isso que B é a resposta correta para a questão. As demais alternativas trazem um elemento que aponta para algo que vem depois, como "que o campeão...", "esse tal de Coutinho" ou "a falta de tempo" explicando o "isso". A FGV adora esse tipo de leitura fina: o segredo é perguntar sempre se a palavra olha para trás ou para frente.