Assinale a frase argumentativa a seguir cuja premissa de raciocínio é feita à base de um julgamento opinativo.
- A)Uma pesquisa indicou que grande parte da população brasileira vê a insegurança como seu maior problema.
Errada, porque se apoia em uma pesquisa, isto é, em um dado apresentado como objetivo, não em julgamento pessoal.
- B)As pesquisas eleitorais mostram que a população se encontra dividida entre candidatos de ideologia oposta.
Errada, porque menciona pesquisas eleitorais, que funcionam como base informativa e verificável, e não como opinião.
- C)Muitos acidentes ocorrem por estarem alcoolizados os motoristas, como mostra a fiscalização da Lei Seca.
Errada, porque usa fiscalização da Lei Seca como suporte concreto para a afirmação, não como mera avaliação subjetiva.
- D)É muito mais agradável ir para o campo do que para a praia nas próximas férias.
Certa, porque a expressão “muito mais agradável” expressa preferência e julgamento de valor, e não um fato comprovável.
- E)Muitas rodovias apresentam maior número de acidentes que outras, o que nos leva a crer que há necessidade de melhor sinalização.
Errada, porque parte de uma observação sobre rodovias e a transforma em necessidade de sinalização, com base mais objetiva do que opinativa.
Gabarito: D
A questão trabalha a diferença entre fato e opinião dentro de uma frase argumentativa. Em textos argumentativos, a conclusão pode até parecer objetiva, mas a premissa precisa ser analisada: ela pode vir de dados, de pesquisas, de observações ou de um juízo pessoal. Quando a base do raciocínio nasce de gosto, preferência ou avaliação subjetiva, estamos diante de um julgamento opinativo. Nas alternativas A, B, C e E, a base do enunciado é apresentada como informação verificável, ainda que possa ser discutível ou mais fraca em termos de prova. Já na alternativa D, a frase compara dois destinos de férias dizendo que um é “muito mais agradável” que o outro. Isso não é dado objetivo, nem conclusão científica: é preferência pessoal travestida de argumento. Por isso, o gabarito é a letra D. O termo “mais agradável” revela uma avaliação subjetiva, isto é, um julgamento de valor. Em provas da FGV, vale ficar atento a esse tipo de construção: quando a frase tenta parecer racional, mas o alicerce é gosto pessoal, a banca costuma cobrar justamente essa leitura fina entre fato e opinião. Em resumo: se a premissa depende de uma impressão individual, ela é opinativa. Se depende de uma informação constatável, ainda que usada para argumentar, ela tende a ser factual.