As opções a seguir apresentam várias situações comunicativas em que a comunicação não está bem estabelecida. Assinale a opção em que a razão de não se estabelecer uma boa comunicação está corretamente identificada.
- A)Na discoteca, os dois membros de um casal de estrangeiros tinham dificuldade em ouvir as palavras do outro, pois a música estava bastante alta. / O código empregado ser uma língua estrangeira.
Errada, porque o problema descrito é de ruído/condição ambiental (música alta), e não do fato de o código ser uma língua estrangeira.
- B)Um arqueólogo luta há vinte anos para o entendimento de umas frases numas placas de argila. / O desconhecimento do código empregado.
Certa, porque o arqueólogo não consegue compreender as frases por não dominar o código usado nas placas.
- C)João não sabia dizer se a frase “A demissão do secretário” se referia a uma demissão feita pelo secretário ou se à demissão do próprio secretário. / Palavras não adaptadas às circunstâncias.
Errada, porque o caso é de ambiguidade sintática, causada pela estrutura da frase, e não simplesmente por palavras fora de contexto.
- D)O professor não conseguia entender o que estava escrito no texto do aluno. / O meio de comunicação mal escolhido.
Errada, porque a dificuldade está em decifrar a escrita do aluno, o que aponta para problema de código/legibilidade, não de meio de comunicação.
- E)O aluno não conseguia distinguir as referências históricas de uma estrofe de Camões. / A polissemia da mensagem.
Errada, porque o obstáculo está na falta de repertório histórico para entender as referências, e não na polissemia da mensagem.
Gabarito: B
Em comunicação, o recado só flui bem quando três coisas conversam entre si: quem fala, quem recebe e o meio/código usado. Se alguma dessas peças falha, a mensagem pode até existir, mas não se estabelece de forma eficiente. Aqui, a banca trabalha com situações clássicas de teoria da comunicação: ruído, desconhecimento do código, ambiguidade e inadequação do meio. No caso da letra B, a situação é perfeita para a ideia de desconhecimento do código empregado. O arqueólogo está diante de placas de argila e luta para entender as frases por vinte anos justamente porque não domina o sistema de signos usado ali. Não é problema de barulho, de ambiguidade ou de escolha ruim do canal, mas sim de não conhecer a língua/escrita em que a mensagem foi construída. A FGV gosta de testar se você sabe separar código, canal e conteúdo. Código é a língua ou o sistema de sinais; canal é o meio por onde a mensagem circula; conteúdo é o que se diz. Quando você confunde esses elementos, cai na pegadinha. Em teoria da comunicação, a comunicação só se efetiva quando emissor e receptor compartilham o código e o contexto mínimo necessário para a compreensão. Por isso, a alternativa B está correta: a razão do problema é exatamente o desconhecimento do código empregado. As demais misturam conceitos parecidos, mas trocam o nome do defeito da comunicação, e a banca adora esse detalhe.