Leia o seguinte trecho do escritor inglês Aldous Huxley. O homem que pretende ser sempre coerente no seu pensamento e nas suas decisões morais ou é uma múmia ambulante ou, se não conseguir sufocar toda a sua vitalidade, um monomaníaco fanático. Sobre o significado ou a estruturação do texto, é correto afirmar que
- A)infere-se do pensamento expresso no trecho que o homem é sempre incoerente em seu pensamento e decisões.
Errada, porque o texto não afirma que o homem é sempre incoerente, e sim critica a pretensão de ser sempre coerente.
- B)a comparação com uma “múmia ambulante” se justifica pela perda da vida interior.
Certa, porque a comparação com uma “múmia ambulante” sugere alguém sem vitalidade interior, quase vazio por dentro.
- C)a mania única aludida no texto é a de estar sempre à procura de tornar-se incoerente.
Errada, porque “monomaníaco fanático” é quem se prende a uma ideia única, não alguém que procura ser incoerente.
- D)a visão negativa do homem na frase é decorrente de sua vontade deformada de ser incoerente em suas ações.
Errada, porque a visão negativa decorre da rigidez e da coerência excessiva, não da vontade de ser incoerente.
- E)segundo o texto, se o homem não conseguir sufocar toda a sua vitalidade, o homem vira uma múmia ambulante.
Errada, porque o texto diz que, se não conseguir sufocar a vitalidade, o homem vira um monomaníaco fanático, e não uma múmia ambulante.
Gabarito: B
O trecho trabalha com uma crítica forte à tentativa de manter uma coerência absoluta o tempo todo. Huxley sugere que isso não é natural: ou a pessoa vira quase uma “múmia ambulante”, sem movimento interior, sem contradições, sem vitalidade, ou acaba se tornando um fanático, preso a uma única ideia. Em outras palavras, a frase ironiza a rigidez extrema do pensamento e da moral. É aí que a alternativa B acerta. A imagem da “múmia ambulante” faz sentido porque a múmia é um corpo preservado, mas sem vida plena, e “ambulante” reforça a ideia de algo que anda, mas está vazio por dentro. Ou seja, a comparação aponta para a perda da vida interior, da espontaneidade e da complexidade humana. Perceba que o texto não diz que o homem é incoerente sempre, nem que ele deseja ser incoerente. A ideia é justamente o contrário: querer coerência total pode deformar a pessoa, tirando dela a vitalidade ou empurrando-a para o fanatismo. A leitura correta depende de entender a ironia e a oposição construída no período. Em provas da FGV, é comum a banca cobrar interpretação fina de imagens, ironia e relações lógicas do enunciado. Então, quando aparecer metáfora ou comparação, pense no efeito de sentido: aqui, a imagem não é decorativa, ela serve para mostrar uma vida interior esvaziada.