Assinale a frase em que o emprego do demonstrativo está inadequado, segundo a norma culta tradicional.
- A)Dê-me essa sacola que você está carregando, pois está muito pesada.
Certa, porque "essa" pode indicar algo próximo do interlocutor, como a sacola que a pessoa está carregando.
- B)Guilherme e Heitor chegaram na mesma hora à festa: esse, de carro, aquele de motocicleta.
Errada, porque a retomada dos dois nomes exige a distribuição tradicional entre "este" e "aquele", e "esse" fica inadequado no contexto.
- C)As meninas declararam isto: ninguém notou a chegada dos assaltantes.
Certa, porque "isto" introduz corretamente a ideia que vem em seguida, funcionando como referência catafórica.
- D)Na Idade Média ainda não havia talheres na mesa: naquele tempo se comia com a mão.
Certa, porque "naquele tempo" retoma adequadamente um período afastado no tempo.
- E)Comprei camisas e blusões na loja: aquelas de linho, estes de algodão.
Certa, porque a alternância entre "aquelas" e "estes" está coerente com a referência aos dois tipos de peças e com a distinção de gênero.
Gabarito: B
Os demonstrativos parecem simples, mas adoram pregar uma peça. Em regra, "este/esta/isto" se liga ao que está mais perto de quem fala, ao que vai ser mencionado ou ao elemento mais recente do discurso. Já "esse/essa/isso" costuma apontar para o que está perto de quem ouve, para o que já foi mencionado ou para uma posição intermediária. E "aquele/aquela/aquilo" fica com o que está mais distante, no espaço, no tempo ou no texto. Na norma culta tradicional, também é comum usar "este" para o segundo elemento de uma enumeração e "aquele" para o primeiro. Por isso, em listas do tipo "A e B", a referência costuma ser organizada assim: o último termo recebe "este", e o primeiro, "aquele". É a velha regra do texto formal, aquela que vive tentando organizar a bagunça da memória. Na alternativa B, houve troca indevida: depois de citar "Guilherme e Heitor", o natural pela norma tradicional seria fazer a retomada com "este" para o último nome mencionado e "aquele" para o primeiro. O uso de "esse" quebra essa convenção. Por isso, B é a frase com emprego inadequado do demonstrativo. As demais alternativas respeitam o uso esperado: "essa sacola" pode marcar proximidade com o interlocutor; "isto" introduz a explicação que vem depois; "naquele tempo" retoma uma época afastada; e a alternância entre "aquelas" e "estes" em E acompanha a referência aos dois grupos de roupas. Em gramática normativa, o demonstrativo é quase um GPS: se você erra a distância, ele reclama.