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Português · FGV · 2025

Questão comentada de Português

Assinale a frase abaixo, retirada do romance Ressurreição, de Machado de Assis, ou do romance O Cortiço, de Aluísio Azevedo, que mostra a palavra mais na classe gramatical da preposição.

Gabarito: D

A palavra “mais” costuma aparecer como advérbio de intensidade, indicando aumento ou comparação, como em “mais tarde” ou “mais entre nós”. Mas ela pode assumir outra roupa e virar preposição, com sentido de “junto com”, “acrescido de”, “além de”. Nessa função, ela liga termos e não traz ideia de comparação nem de intensidade. O segredo aqui é perceber o valor semântico da expressão. Quando “mais” equivale a “com”, “além de” ou “acrescido de”, ele está funcionando como preposição. É um uso menos comum no dia a dia, por isso a banca gosta de explorar esse detalhe. Na alternativa D, a frase “rente, mais a Bertoleza” mostra exatamente esse emprego: João Romão está ao lado de Bertoleza, trabalhando junto com ela, em sentido equivalente a “rente com Bertoleza” ou “rente a Bertoleza”. Portanto, “mais” não está comparando nem intensificando nada; está apenas relacionando os termos. Esse tipo de análise é pura morfologia na prática: antes de decorar rótulos, você testa o sentido na frase. Se a troca por “com” ou “junto de” mantiver a ideia, há forte indicação de preposição. E foi isso que a banca FGV cobrou aqui, de forma bem elegante e sem pedir licença.

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