Em todas as frases abaixo foi retirada a palavra “porque”, sendo substituída por construção de mesmo sentido. Assinale a frase em que essa substituição traz modificação de sentido.
- A)O torcedor foi expulso porque assim quis a torcida / o torcedor foi expulso por protesto da torcida.
Errada, porque "por protesto da torcida" não reproduz exatamente a causa expressa em "porque assim quis a torcida", alterando o sentido.
- B)Emprestei-lhe o carro porque confiava nela / emprestei-lhe o carro em confiança.
Certa, porque "em confiança" preserva a ideia de motivo/causa do empréstimo.
- C)Venci porque muitas pessoas me ajudaram / venci graças ao auxílio de muitas pessoas.
Certa, porque "graças ao auxílio" mantém a relação causal favorável da vitória.
- D)Deixou o palco porque muitas pessoas o vaiavam / deixou o palco pela vaia de muitas pessoas.
Certa, porque "pela vaia de muitas pessoas" conserva a ideia de motivo para deixar o palco.
- E)Deixei de viajar porque não tinha dinheiro / deixei de viajar em função de problemas financeiros.
Certa, porque "em função de problemas financeiros" equivale a não viajar por falta de dinheiro.
Gabarito: A
A palavra "porque" pode indicar causa, motivo ou explicação. Em muitos casos, ela pode ser trocada por locuções equivalentes, como "por", "graças a", "em função de", "por causa de", "em razão de" ou "devido a", desde que o sentido da frase continue o mesmo. O segredo aqui é conferir se a reescrita mantém a mesma relação lógica entre as ideias. Na gramática normativa, isso cai na chamada relação de causalidade, muito explorada pela FGV em questões de paráfrase e equivalência semântica. Na alternativa A, a troca altera o sentido: "o torcedor foi expulso porque assim quis a torcida" indica que a vontade da torcida é a causa da expulsão, mas "foi expulso por protesto da torcida" sugere que o motivo foi o protesto em si, e não exatamente a vontade expressa na frase original. Ou seja, a segunda construção desloca a causa e muda a leitura do enunciado. Nas demais alternativas, a substituição preserva a ideia causal. Em B, a confiança é o motivo do empréstimo; em C, o auxílio é a causa da vitória; em D, as vaias motivam a saída do palco; em E, a falta de dinheiro e os problemas financeiros mantêm a mesma relação de causa. A banca costuma cobrar justamente essa sensibilidade de sentido, não só a troca mecânica de palavras.