As opções abaixo mostram frases que foram colocadas no plural. A frase em que houve erro gramatical nesse processo, é:
- A)Tem-se obtido bom retorno de nosso investimento / Têm-se obtido bons retornos de nosso investimento.
Correta: em "obter", o "se" atua como partícula apassivadora, então o verbo concorda com "bom retorno" e com "bons retornos".
- B)Não se necessitará de seu empréstimo / Não se necessitarão de seus empréstimos.
Errada: em "necessitar de", o "se" é índice de indeterminação do sujeito, por isso o verbo deve ficar no singular, não no plural.
- C)Espero que se modifique a estrutura do projeto / Espero que se modifiquem as estruturas do projeto.
Correta: "modificar" admite voz passiva sintética, então o verbo concorda com "a estrutura" e com "as estruturas".
- D)Nunca se desobedeceu à regra disciplinar da escola / Nunca se desobedeceu às regras disciplinares da escola.
Correta: "desobedecer a" com "se" mantém o verbo no singular, pois o "se" indetermina o sujeito e a preposição introduz o complemento.
- E)Conquistou-se novo freguês para o produto / Conquistaram-se novos fregueses para o produto.
Correta: "conquistar" é verbo transitivo direto, então o "se" é apassivador e o verbo concorda com "novo freguês" e "novos fregueses".
Gabarito: B
Aqui a banca testou um clássico da sintaxe: a diferença entre partícula apassivadora e índice de indeterminação do sujeito. Quando o verbo admite voz passiva sintética com "se", ele concorda com o sujeito paciente: "conquistou-se um freguês" vira "conquistaram-se fregueses". Já quando o "se" indetermina o sujeito, o verbo fica no singular, mesmo que apareçam palavras no plural depois dele. O ponto-chave é observar a regência do verbo. Em "necessitar de", o verbo é transitivo indireto, então o "se" funciona como índice de indeterminação do sujeito. Nessa situação, a forma correta é singular: "não se necessitará de seus empréstimos". O plural em "necessitarão" é que quebra a regra, porque o verbo não deve concordar com o complemento regido por preposição. As demais frases seguem a lógica da concordância com o sujeito paciente ou estão bem ajustadas na reescrita para o plural. A FGV adora essa casca de banana: ela troca o número da frase e espera que voce olhe só para o substantivo plural lá no fim, esquecendo de conferir a função do "se". Resumo de prova: se houver verbo transitivo direto e sentido passivo, o verbo concorda com o sujeito; se o verbo for transitivo indireto ou intransitivo com "se" indeterminador, o singular costuma permanecer. É a diferença entre "a frase se ajeita" e "a gramática não perdoa".