Todas as frases a seguir mostram o advérbio NÃO seguido de uma forma verbal; essa expressão não + verbo foi substituída por um só verbo de valor equivalente. Assinale a opção em que essa substituição foi mal realizada.
- A)O jogador não falou diante do árbitro / acovardou-se.
Errada, porque "não falou" significa apenas que o jogador ficou em silêncio, e "acovardou-se" acrescenta a ideia de medo ou falta de coragem.
- B)Os técnicos não gostam de alguns juízes / detestam.
Certa, pois "não gostam" equivale bem a "detestam", mantendo a mesma ideia de rejeição intensa.
- C)O goleiro não continuou a reclamação / interrompeu.
Certa, porque "não continuou a reclamação" pode ser reescrito como "interrompeu", que expressa a cessação da ação.
- D)O time não aceitou a marcação da falta / contestou.
Certa, já que "não aceitou a marcação da falta" corresponde a "contestou", isto é, discordou da decisão.
- E)O zagueiro não seguiu as instruções / desobedeceu.
Certa, pois "não seguiu as instruções" tem sentido equivalente a "desobedeceu".
Gabarito: A
Em questões de morfologia e semântica, a banca gosta de testar se voce percebe que nem toda expressão "não + verbo" pode ser trocada por um verbo único qualquer. A ideia é buscar um verbo de sentido equivalente, isto é, que preserve a mesma noção central da frase original. Parece simples, mas a FGV adora uma substituição com cara de correta e coração de armadilha. Aqui, a chave está em comparar o sentido real de cada enunciado. "Não gostam" vira "detestam"; "não continuou" pode ser entendido como "interrompeu"; "não aceitou" combina com "contestou"; "não seguiu" casa com "desobedeceu". Nesses casos, a substituição mantém a ideia principal da frase, sem forçar a barra. Na alternativa A, porém, a troca foi mal feita. "O jogador não falou diante do árbitro" quer dizer apenas que ele ficou calado, não que tenha "acovardado-se". Acovardar-se é intimidar-se, mostrar covardia, ter medo de agir, o que é mais forte e diferente de simplesmente não falar. Ou seja, a frase original fala de ausência de fala; a substituição fala de medo ou fraqueza moral. Então, o erro está em transformar silêncio em covardia. Em prova, pense assim: a banca quer equivalência semântica, não só uma palavra que pareça ligada ao contexto. Se o sentido mudar de direção, a questão já escorregou.