Assinale a frase que mostra um termo que indica a participação pessoal do autor na mensagem da frase.
- A)A população aplaudiu a inauguração do mercado.
Errada, porque a frase apenas informa um fato, sem palavra que revele opinião, julgamento ou emoção do autor.
- B)Os impostos sobre a água não aumentarão.
Errada, porque a construção é objetiva e informativa, sem termo que marque participação pessoal de quem escreve.
- C)O Rio, como São Paulo, enfrenta problemas.
Errada, porque há apenas comparação e constatação de um problema, sem sinal explícito de avaliação subjetiva do autor.
- D)O acusado foi, felizmente, preso.
Certa, porque “felizmente” expressa julgamento do autor sobre o fato, marcando sua participação pessoal na mensagem.
- E)As máquinas interditaram a pista.
Errada, porque a frase atribui uma ação a um sujeito inanimado, mas não traz termo avaliativo que revele a opinião do autor.
Gabarito: D
A questão cobra um detalhe clássico de interpretação: identificar quando a frase traz marca de participação pessoal do autor, isto é, quando o texto deixa de ser neutro e passa a mostrar uma avaliação, opinião ou sentimento de quem escreve. Em prova, isso costuma aparecer por meio de palavras que revelam julgamento, como advérbios e expressões valorativas. Numa frase mais objetiva, o fato é apresentado quase como uma reportagem seca: aconteceu isso, aumentou aquilo, foi feito aquilo outro. Já quando surge uma palavra como “felizmente”, “infelizmente”, “sem dúvida” ou “obviamente”, o autor está piscando para você e dizendo: “olha, estou opinando aqui”. No gabarito, a palavra “felizmente” mostra exatamente essa intervenção pessoal. Ela não descreve o fato em si, mas comenta o fato, atribuindo a ele uma avaliação positiva. Ou seja, não é o preso que está feliz; é o autor que considera a prisão algo bom. Essa é a pista certeira da subjetividade. Em linguagem de gramática e análise do discurso, isso se relaciona à modalização e à presença do ponto de vista do enunciador. Em resumo: quando o autor se coloca na frase, a neutralidade vai embora e entra em cena a opinião. A FGV adora esse tipo de leitura fina.