Em todas as frases abaixo foi empregada uma forma verbal no pretérito imperfeito do indicativo. Assinale a opção que indica a frase em que esse tempo verbal marca uma forma substituta do futuro do pretérito, na linguagem popular.
- A)Eu viajava neste mês ainda, se me liberassem na firma.
Certa: o imperfeito “viajava” está em contexto hipotético e substitui popularmente “viajaria”.
- B)Nós sempre viajávamos no mês de dezembro.
Errada: aqui o imperfeito indica hábito ou frequência no passado, sem valor de futuro do pretérito.
- C)Bom dia, o que o senhor procurava?
Errada: “procurava” funciona como fórmula de cortesia/pedido, mas não marca substituição do futuro do pretérito neste contexto.
- D)A paisagem, vista da janela, parecia um quadro.
Errada: “parecia” expressa estado ou aparência no passado, uso normal do pretérito imperfeito.
- E)Enquanto falava com o cliente, viu o roubo acontecer.
Errada: “falava” indica ação em desenvolvimento no passado, valor típico do imperfeito.
Gabarito: A
O pretérito imperfeito do indicativo normalmente indica ação habitual, contínua ou simultânea no passado: eu viajava, nós viajávamos, ele falava. Mas, na linguagem popular e em registros informais, esse tempo também pode aparecer como substituto do futuro do pretérito, isto é, no lugar de formas como eu viajaria, nós viajaríamos. Isso acontece muito em frases com ideia de hipótese, condição ou possibilidade. Na prática, é como se o imperfeito entrasse no lugar do condicional, sem mudar o sentido central da frase. Na alternativa A, isso fica bem claro: “Eu viajava neste mês ainda, se me liberassem na firma.” O contexto é hipotético, condicionado por “se me liberassem”, então a ideia esperada é “eu viajaria neste mês ainda”. Ou seja, o verbo no imperfeito está funcionando como substituto popular do futuro do pretérito. As outras frases usam o imperfeito no valor mais comum, sem essa troca de tempo verbal. Em B há hábito no passado (“sempre viajávamos”), em C há um pedido polido ou fórmula de atendimento (“o que o senhor procurava?”), em D há descrição de estado no passado (“parecia um quadro”), e em E há ação em curso no passado (“enquanto falava”). Resumo de prova: quando o imperfeito vem com ideia de condição, hipótese ou polidez fora do passado habitual, desconfie de que ele esteja “fazendo o trabalho” do futuro do pretérito. A gramática normativa registra esse uso popular, mas a banca quer que você reconheça o valor contextual da forma verbal.