Assinale a frase abaixo em que o emprego do acento grave indicativo da crase é optativo.
- A)Qualquer pessoa desprovida de senso de humor está à mercê de todos.
Errada, porque em "à mercê" a crase é obrigatória, já que se trata de locução fixa com preposição + artigo feminino.
- B)A vida ensina que jamais somos felizes senão à custa de certa ignorância.
Errada, porque em "à custa de" a crase é obrigatória por se tratar de expressão consagrada e regida por preposição.
- C)Quando à noite não conseguir dormir, pare de contar ovelhas e converse com o pastor.
Errada, porque em "à noite" a crase é obrigatória em locução adverbial de tempo.
- D)Um louco é alguém que crê em tudo o que vem à mente.
Errada, porque em "à mente" a crase é obrigatória na expressão "vir à mente", que pede preposição e admite artigo.
- E)Quanto mais felizes somos, menos atenção prestamos à nossa felicidade.
Certa, porque a regência de "prestar atenção a" encontra o termo feminino "nossa felicidade", que pode vir com ou sem artigo, tornando a crase facultativa.
Gabarito: E
A crase aparece quando a preposição "a" encontra o artigo feminino "a". Na prática, isso costuma acontecer com verbos ou nomes que pedem preposição, como em "prestamos atenção a algo". Se o termo seguinte admite artigo feminino, a fusão pode virar "à". Mas nem toda crase é obrigatória. Em alguns casos, ela é facultativa, e o clássico de prova é antes de pronomes possessivos femininos no singular ou plural, como "a sua casa" / "à sua casa". Os dois jeitos podem existir, porque o artigo é opcional nesses contextos. É exatamente o que ocorre em "menos atenção prestamos à nossa felicidade". O nome "atenção" rege a preposição "a", e "nossa felicidade" admite artigo feminino: "a nossa felicidade". Por isso, também seria correto escrever "menos atenção prestamos a nossa felicidade". A banca quer que você perceba essa liberdade de uso. As demais alternativas trazem casos em que a crase é obrigatória, geralmente por locuções fixas ou expressões consagradas. Então, aqui, o segredo não é decorar só o risquinho: é olhar a regência e ver se o artigo feminino está mesmo ali para casar com a preposição.