Assinale a frase que mostra um erro gramatical.
- A)A dança é uma tentativa tosca de entrar no ritmo da vida.
Está correta: a construção é simples e respeita a norma-padrão, sem problema de regência ou concordância.
- B)Dança é a única arte na qual nós mesmos somos o material de que ela é feita.
Está correta: a frase é estilisticamente densa, mas a estrutura sintática e a regência estão adequadas.
- C)Não tenho nada a dizer e estou dizendo-o. Tal é a poesia.
Está correta: o pronome enclítico e a colocação do complemento não ferem a gramática normativa.
- D)Eu sei que a poesia é indispensável, mas não sei para quê.
Está correta: "indispensável" e a expressão "para quê" estão bem empregados, sem erro formal.
- E)O livro é uma janela na qual nos evadimos.
Está errada: o verbo "evadir-se" exige preposição, de modo que a construção "nos evadimos" não se ajusta à norma-padrão.
Gabarito: E
Nesta questão, a banca testa seu olho para regência verbal, um assunto que vive passeando pela Morfologia e pela Sintaxe. A ideia é simples: alguns verbos pedem complemento com preposição, e não dá para trocar isso sem ferir a norma-padrão. Quando o verbo exige a preposição, ela não é enfeite - ela é parte da construção correta. No item E, o problema está em "nos evadimos". O verbo "evadir-se" pede complemento com preposição "de" quando indica afastamento, fuga ou saída de algo: você se evade de alguma coisa, não "na" coisa. Por isso, o correto seria algo como "O livro é uma janela da qual nos evadimos" ou, de forma mais natural, "pela qual nos evadimos", dependendo da intenção do texto. As demais frases estão bem construídas. Elas usam imagens poéticas e estruturas sintáticas corretas, sem quebrar a regência exigida pelos verbos. A FGV gosta muito desse tipo de pegadinha: a frase parece literária, elegante e até bonita, mas um detalhe de regência entrega o erro. Resumo para prova: quando o verbo pede preposição, ela precisa aparecer no lugar certo. Se você vê "evadir-se", pense logo em "evadir-se de". O ouvido até aceita a frase no fluxo da leitura, mas a gramática cobra a conta no final.