Assinale o segmento textual abaixo que mostra a presença de um segmento em discurso indireto livre.
- A)Era frágil, magrinho, quase nada, criaturinha de escasso fôlego.
Errada: há apenas uma descrição física do personagem, sem mistura entre voz do narrador e pensamento da personagem.
- B)Imaginava a moça, os olhos tímidos, a boca cerrada, o véu que lhe cobriria a linda carinha, a delicadeza dele, as palavras que diria entrando em casa.
Errada: o trecho é descritivo e narrativo, com imaginação do narrador, mas sem a fusão típica do discurso indireto livre.
- C)Viu o imenso espaço que aquele amor lhe tomara na vida, e a terrível influência que poderia exercer nela... Qual seria o meio de escapar a esse desenlace, pior que tudo?
Certa: o trecho mistura narração com a dúvida íntima da personagem, sem marcas formais de fala direta.
- D)Em todos esses sonhos andávamos unidinhos.
Errada: é uma afirmação narrativa simples, sem entrada da consciência da personagem no enunciado.
- E)A pobre Clarinha, que havia ideado um paraíso no casamento, viu desfazer-se em fumo a sua quimera.
Errada: o narrador resume o destino da personagem em terceira pessoa, sem reproduzir pensamento ou fala interior.
Gabarito: C
O discurso indireto livre acontece quando a narrativa mistura a fala, o pensamento ou a percepção da personagem com a voz do narrador, sem aspas, sem travessao e, em geral, sem verbos como "disse" ou "pensou" marcando a passagem. É como se o narrador pegasse carona na cabeça da personagem e deixasse a frase com a cara dela, mas ainda dentro do fluxo narrativo. Na prática, voce costuma notar isso quando aparecem perguntas, exclamações, avaliações ou dúvidas que pertencem claramente ao personagem, mas surgem fundidas ao relato em terceira pessoa. Esse recurso é muito comum na literatura realista e naturalista, especialmente em autores como Machado de Assis, para aproximar o leitor da consciência da personagem. Na alternativa C, a frase apresenta exatamente essa mistura: "Viu o imenso espaço que aquele amor lhe tomara na vida, e a terrível influência que poderia exercer nela... Qual seria o meio de escapar a esse desenlace, pior que tudo?" A primeira parte ainda parece narrativa, mas a pergunta "Qual seria o meio de escapar..." entra como pensamento interior da personagem, sem marcação direta de fala. Isso é a cara do discurso indireto livre. As demais alternativas não trazem essa fusão de vozes. Elas descrevem, narram ou resumem estados e cenas, mas não deixam escapar a voz mental da personagem com essa liberdade toda. Em prova, se apareceu a pergunta íntima da personagem sem aspas e sem "pensou que", vale acender a luz amarela: costuma ser discurso indireto livre.