Assinale a frase em que a conjunção E tem valor adversativo.
- A)O conselho da mulher é pouco e quem não o aceita é louco.
Certa: o "e" liga duas ideias em contraste, com sentido de oposição, equivalente a "mas".
- B)Mulheres e elefantes nunca esquecem.
Errada: o "e" apenas soma dois elementos do sujeito composto, sem valor de oposição.
- C)A mulher é volúvel como uma pena ao vento, muda de palavra e de pensamento.
Errada: o "e" une dois complementos do verbo "muda", mantendo sentido aditivo.
- D)Homens são como computadores: difíceis de se configurar e nunca têm memória suficiente.
Errada: o "e" acrescenta mais uma característica aos computadores, sem contraste entre orações.
- E)O homem é um ser prodigiosamente ondulante e variável.
Errada: o "e" coordena adjetivos, funcionando de modo simplesmente aditivo.
Gabarito: A
A conjunção "e" normalmente soma ideias: junta termos, orações, fatos. Mas, em português, ela também pode ganhar outros valores conforme o contexto, como oposição, consequência, explicação ou até conclusão. Ou seja, a palavra é a mesma, mas o sentido muda de roupa conforme a frase. Na questão, o ponto-chave é perceber quando o "e" não está apenas acrescentando, mas contrapondo duas ideias. Isso acontece em construções em que a segunda oração apresenta uma reação, contraste ou oposição em relação à primeira. Nesse caso, o "e" funciona com valor adversativo, bem próximo de "mas". A alternativa A é correta porque há contraste claro entre as ideias: "O conselho da mulher é pouco" e "quem não o aceita é louco". A segunda parte não soma informação neutra; ela rebate, opõe e cria um efeito de restrição/contraste. É esse uso expressivo que a banca quer cobrar. Em prova, desconfie da leitura automática de que "e" é sempre aditivo. A FGV gosta exatamente dessa análise de contexto: a gramática real da frase vale mais do que a etiqueta decorada. Se a segunda oração vier com oposição semântica, o "e" pode virar adversativo sem pedir licença.