A seguir, estão cinco frases retiradas de para-choques de caminhões. Assinale a frase que está livre do preconceito machista.
- A)A única mulher que andou na linha o trem pegou.
Errada, porque associa a mulher à incapacidade de “andar na linha”, reforçando um estereótipo depreciativo e machista.
- B)Casamento é o fim da criancice e o começo da criançada.
Certa, porque faz um jogo de palavras sobre casamento sem ofender a mulher nem sustentar preconceito de gênero.
- C)Marido de mulher feia tem ódio de domingo e feriado.
Errada, porque usa a figura da mulher para ridicularizar o marido, partindo de um estereótipo ofensivo ligado à aparência feminina.
- D)Mulher é igual pipoca, quando dá uns pulinhos cai logo na boca do povo.
Errada, porque compara a mulher a uma pipoca que “cai na boca do povo”, com imagem claramente objetificante e machista.
- E)Mulher casa com a sua conta bancária.
Errada, porque reduz a mulher a interesse financeiro, reforçando um clichê preconceituoso e discriminatório.
Gabarito: B
A questão trabalha interpretação de texto com atenção ao conteúdo implícito, especialmente quando a frase carrega estereótipos ou preconceitos. Em prova da FGV, vale olhar além do “humor” aparente do texto: muitas frases de para-choque fazem trocadilho, mas várias sustentam ideias machistas, tratando a mulher como objeto, alvo de deboche ou instrumento de submissão. Quando a banca pede a frase “livre do preconceito machista”, você deve procurar a alternativa que não inferioriza a mulher, não a associa a traição, descontrole, interesse financeiro ou fofoca social. Em outras palavras, a frase precisa ser apenas espirituosa, sem reforçar visão discriminatória. Isso conversa com a Constituição, que veda discriminação e afirma a igualdade entre homens e mulheres (art. 5º, I). A Lei Maria da Penha também expressa a proteção contra violências e estereótipos que atingem a dignidade feminina. A alternativa B é a correta porque faz uma brincadeira com as palavras “criancice” e “criançada”, mas não atribui nenhuma característica ofensiva à mulher. O enunciado fala de casamento de modo geral, sem atacar gênero nem reforçar ideia preconceituosa. Já as demais opções usam imagens claramente depreciativas ou estereotipadas sobre a mulher. Então, aqui o segredo é simples: não basta a frase ser engraçadinha, ela precisa ser limpa de machismo. A FGV adora esse tipo de leitura crítica, em que você identifica o preconceito escondido no “humor” popular.