Preso em 1962 pela sua luta contra o apartheid na África do Sul, Nelson Mandela também se dirigiu ao povo, em seu discurso proferido no Julgamento de Rivônia, na Suprema Corte da Pretória. "Dediquei toda minha vida a esta luta do povo africano. Lutei contra o domínio branco e lutei contra o domínio negro. Defendi e prezo a ideia de uma sociedade democrática e livre, em que todas as pessoas convivam em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal para o qual eu espero viver e que espero ver realizado. Mas, Meritíssimo, se preciso for, é um ideal pelo qual estou disposto a morrer”, disse Mandela, que ficou preso por 27 anos. Esse pequeno texto de Mandela mostra
- A)preocupação do orador com a sua imagem pública.
Errada, porque o foco do trecho não é a imagem pública do orador, mas a defesa de um ideal político e social.
- B)frases curtas e sintéticas, denotadoras de pressa.
Errada, porque o texto não sugere pressa; as frases são articuladas para enfatizar ideias e distinções importantes.
- C)desrespeito ao poder judiciário que o julga.
Errada, porque não há desrespeito ao Judiciário, e sim uma fala respeitosa, inclusive com tratamento direto a “Meritíssimo”.
- D)prioridade social do negro sobre o branco.
Errada, porque Mandela rejeita qualquer forma de domínio, tanto branco quanto negro, defendendo igualdade e harmonia.
- E)preocupação com a especificação dos termos usados.
Certa, porque o texto mostra cuidado em definir com precisão os termos e as posições defendidas.
Gabarito: E
A questão explora interpretação de texto e, mais especificamente, a atenção ao sentido preciso das palavras escolhidas pelo autor. No discurso de Mandela, não há excesso decorativo nem um ataque ao Judiciário: há uma fala construída para marcar posições políticas e éticas com clareza. Ele faz questão de separar ideias que poderiam ser confundidas, como “domínio branco” e “domínio negro”, e afirma o ideal de uma sociedade democrática e livre para todos. O ponto central está justamente nessa preocupação com a especificação dos termos usados. Mandela não fala de forma vaga; ele delimita com cuidado o que rejeita e o que defende. Ao mencionar tanto o domínio branco quanto o negro, ele mostra que sua luta não é por inversão de opressão, mas por igualdade real e convivência em harmonia. Isso revela precisão vocabular e rigor argumentativo. Por isso, o gabarito é a letra E. O texto evidencia uma fala em que cada termo tem peso e função, algo muito comum em discursos de forte conteúdo político e moral. Em leitura de prova, quando o enunciado destaca uma fala assim, a banca costuma cobrar justamente a nuance: não basta perceber a emoção do texto, é preciso notar a escolha criteriosa das palavras. Em resumo: Mandela não está apenas “falando bonito”; ele está construindo sentido com precisão, para deixar claro o alcance de sua luta e evitar qualquer interpretação simplista.