Observe o seguinte segmento textual: “As folhas caindo lembram sempre lágrimas derramadas pelas grandes árvores tristes que choram em função do fim do ano, do fim das auroras de temperatura agradável e dos doces crepúsculos”. Sobre esse fragmento de texto, assinale a afirmação inadequada à estruturação do texto.
- A)Os dois termos que se comparam no texto são as folhas e as lágrimas.
Correta, porque o texto aproxima diretamente as folhas das lágrimas como termos comparados.
- B)As folhas fazem parte do mundo figurado, enquanto o mundo real é representado pelas lágrimas.
Errada, porque inverte os papéis: as lágrimas são o termo real de referência e as folhas é que compõem a imagem figurada.
- C)O fator de comparação entre os elementos comparados é o movimento de queda.
Correta, pois o que liga as duas imagens é a ideia de queda, comum a folhas e lágrimas.
- D)A função da comparação, nesse caso, é a poética, ou seja, a criação de mundo paralelo esteticamente atraente.
Correta, já que a comparação tem função poética, criando uma cena expressiva e estética.
- E)O termo que estabelece formalmente a comparação entre elementos é o verbo “lembrar”.
Correta, porque o verbo "lembram" introduz formalmente a comparação entre os elementos.
Gabarito: B
Esse fragmento trabalha com uma comparação de efeito poético: as folhas caindo são aproximadas das lágrimas derramadas pelas árvores tristes. A ideia é criar imagem sensível, quase cinematográfica, em que a natureza ganha emoção humana. Repare que o texto não está descrevendo fatos do mundo real de forma literal, mas construindo uma cena figurada, típica da linguagem literária. Na comparação, o verbo "lembram" funciona como marca formal da aproximação entre os termos. Já o ponto em comum entre eles é o movimento de queda: folhas caem, lágrimas também "caem". Isso ajuda a dar unidade à imagem e reforça o tom melancólico do trecho. O gabarito é a alternativa B porque ela inverte a lógica do texto. As folhas é que pertencem ao campo figurado, dentro da imagem poética criada; as lágrimas, ao contrário, são o elemento concreto, real, usado como referência comparativa. Ou seja, o texto não transforma lágrimas em fantasia: ele usa algo real para iluminar a imagem das folhas. Em resumo: a estrutura é comparativa, com função poética evidente, e o sentido nasce justamente dessa troca entre o real e o figurado. A banca gosta bastante desse tipo de leitura fina: perceber quem compara, quem é comparado e qual traço aproxima os elementos.