Em todas as frases abaixo há a união do verbo ter + substantivo, equivalendo a um só verbo com o mesmo significado; assinale a frase em que essa equivalência está inadequada.
- A)Palavra e pedra solta, não têm volta / voltam.
Correta: "não têm volta" equivale a "voltam", com manutenção do sentido de retorno.
- B)Os empregados da empresa têm folga neste sábado / folgam.
Correta: "têm folga" equivale a "folgam", preservando a ideia de estar livre de trabalho.
- C)O bebê tinha vontade de mamar / desejava.
Correta: "tinha vontade de mamar" equivale a "desejava", com sentido de desejo ou apetite.
- D)O palhaço não tinha obrigação de ser alegre / obrigava ninguém a.
Errada: "não tinha obrigação de ser alegre" significa "não era obrigado a ser alegre", e não "obrigava ninguém a".
- E)O empresário não tinha pretensão de enriquecer / pretendia.
Correta: "não tinha pretensão de enriquecer" equivale a "não pretendia enriquecer".
Gabarito: D
A questão explora uma construção muito comum em português: verbo ter + substantivo, funcionando como se fosse um verbo simples de sentido equivalente. Em linguagem de prova, você deve verificar se a troca mantém o mesmo valor semântico e a mesma estrutura lógica da frase. Ex.: ter folga = folgar, ter vontade = desejar, ter pretensão = pretender. Esse tipo de transformação é um jeito de a banca testar se você percebe não só o vocabulário, mas também a relação entre sujeito, verbo e complemento. Às vezes a frase original traz uma ideia de estado ou condição, e a substituição precisa conservar isso sem inventar agente novo nem alterar o sentido. No item D, a frase diz que o palhaço não tinha obrigação de ser alegre, isto é, ele não era obrigado a ser alegre. Isso não equivale a "obrigava ninguém a". O verbo obrigar exige alguém que impõe a obrigação a outra pessoa, e a frase original não diz que o palhaço impunha obrigação a ninguém, apenas que ele mesmo não tinha essa obrigação. Por isso a equivalência está inadequada. As demais alternativas mantêm bem a equivalência: ter volta, ter folga, ter vontade e ter pretensão correspondem, respectivamente, a voltar, folgar, desejar e pretender. É aquela típica pegadinha de concurso: a banca troca uma relação de sentido por outra que parece parecida, mas muda a regência e a lógica da frase.