As frases a seguir mostram uma palavra ou expressão com duplo sentido, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Não ligue para os problemas da vida: eles não têm telefone.
Errada, porque faz trocadilho com "ligar" e "telefone", criando uma leitura literal e outra figurada.
- B)Neste ônibus o motorista é o único a ter assento permanente; o resto é passageiro.
Errada, porque joga com "assento" e "passageiro", explorando a dupla leitura entre lugar físico e condição de quem passa.
- C)Se as abelhas vivem fazendo cera, como é que elas podem ser o símbolo do trabalho incessante?
Errada, porque usa a expressão "fazer cera" em sentido figurado e ainda mistura isso com o sentido literal de cera.
- D)Problemas que vão embora sozinhos voltam sozinhos.
Certa, porque traz apenas uma ideia de sequência lógica, sem palavra ou expressão com ambiguidade de duplo sentido.
- E)Eles cortaram as relações, mas como a faca estava cega, reataram logo depois.
Errada, porque brinca com "cortar as relações" e "a faca estava cega", unindo sentido figurado e sentido literal.
Gabarito: D
Essa questão explora o duplo sentido, isto é, a possibilidade de uma palavra ou expressão ser entendida de duas formas ao mesmo tempo, geralmente por causa de ambiguidade, metáfora ou jogo de palavras. A FGV adora esse tipo de recurso porque ele mistura literal e figurado com carinha de frase engraçada, mas cobra leitura atenta. Nas alternativas, quase todas brincam com expressões que podem ser interpretadas de dois jeitos: um sentido literal e outro mais imaginativo ou idiomático. É o clássico "olhe de novo, porque a graça está no encaixe das palavras". Quando isso acontece, a frase deixa claro que há mais de uma leitura possível, e é justamente isso que define o duplo sentido. A exceção é a alternativa D. Em "Problemas que vão embora sozinhos voltam sozinhos", há apenas uma construção de sentido, baseada na ideia de que o que desaparece sem solução tende a reaparecer depois. A frase tem efeito de observação/aforismo, mas não trabalha com uma palavra ou expressão ambígua nem com dois sentidos simultâneos. Ou seja: ela é inteligente, mas não é uma frase de duplo sentido. Em resumo: se a banca pede a frase sem duplo sentido, você deve procurar aquela que soa mais direta e menos dependente de jogo verbal. Aqui, essa é a D. As outras alternativas dependem de trocadilho, polissemia ou leitura dupla para fazer graça.