As frases a seguir mostram termos repetidos; assinale a opção que apresenta a frase em que o significado dos dois termos não é o mesmo.
- A)Morrer é mudar de corpo como o ator muda de roupa.
Errada: a frase não trabalha com repetição de termo com sentidos diferentes, mas com uma comparação figurada entre mudar de corpo e trocar de roupa.
- B)Janeiro é o mês que se fazem bons votos aos amigos; os outros são os meses em que esses votos não se concretizam.
Errada: o termo repetido não muda de sentido de forma relevante; a frase usa "meses" no mesmo valor temporal nas duas ocorrências.
- C)Quem tempo espera, muito tempo consome.
Errada: "tempo" aparece com o mesmo sentido geral de duração/período nas duas partes do provérbio.
- D)A falsidade da História é tão velha como a própria História.
Certa: "História" muda de sentido na frase, aparecendo primeiro como área de conhecimento/relato e depois como o processo histórico em si.
- E)Viva todos os dias como se fosse o último. Um dia você acerta.
Errada: "dia" mantém o mesmo sentido de unidade de tempo nas duas ocorrências, sem alteração semântica.
Gabarito: D
A questão explora um recurso muito comum em prova de interpretação: a mesma palavra pode aparecer duas vezes na frase, mas com sentidos diferentes. Isso acontece por polissemia, ou seja, uma palavra com mais de um significado possível, dependendo do contexto. Em português, a leitura certa nunca é só “olhar a palavra”; é preciso ver o papel que ela desempenha na frase. Nas alternativas, a banca quer que você descubra em qual frase o termo repetido não mantém o mesmo sentido. Em regra, quando a repetição reforça a ideia, o significado costuma ser o mesmo ou muito próximo. Só que, às vezes, o autor brinca com a ambiguidade e muda o valor semântico da palavra no segundo uso. É exatamente isso que acontece em D. Em “A falsidade da História”, História aparece como o campo de conhecimento, isto é, o relato ou a escrita do passado. Já em “a própria História”, o termo já aponta para o curso dos acontecimentos históricos, o processo histórico em si. Ou seja, a palavra é a mesma, mas o sentido muda no contexto. É a clássica malandragem semântica que a FGV adora cobrar. As demais alternativas mantêm a ideia central do termo repetido, sem essa mudança relevante de sentido. Por isso, o gabarito é D. Em prova, a regra de ouro é simples: não basta identificar repetição de palavra, você precisa checar se ela está repetida com o mesmo valor semântico ou com sentido deslocado pelo contexto.