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Português · FGV · 2024

Questão comentada de Português

Um dos problemas da língua escrita é a troca indevida entre palavras semelhantes na forma, mas de significados distintos (parônimos). Entre as frases abaixo, retiradas de um romance de Machado de Assis, assinale aquela em que houve uma troca equivocada entre COSTUMAR e ACOSTUMAR.

Gabarito: A

Costumar e acostumar são parônimos, isto é, palavras parecidas na forma, mas com usos diferentes. Em regra, costumar indica hábito, frequência, costume: algo que se faz ou acontece habitualmente. Já acostumar traz a ideia de tornar alguém ou algo habituado, adaptado a uma situação, ou de se habituar a algo. A chave aqui é observar a regência e o sentido da frase. Se a ideia é dizer que alguém tem o hábito de algo, o verbo adequado é costumar. Se a ideia é dizer que alguém se adaptou, se habituou, o verbo adequado é acostumar. A banca adora esse tipo de troca, porque a frase continua “bonita”, mas o verbo sai do trilho. Na alternativa A, a forma correta seria “costumada a admirá-lo de longe”, porque a personagem quer dizer que tinha por hábito admirá-lo de longe. O enunciado pergunta justamente onde houve troca indevida entre os dois verbos, e é aí que aparece o erro: foi usado o particípio/adjetivo de acostumar no lugar da ideia de costume/hábito. Em termos de norma-padrão, o sentido pede costumar, não acostumar. As demais alternativas mantêm o valor certo: “acostumou-se” traz adaptação/habitação, e “costumada”, “costumadas” e “acostumado” aparecem com a ideia de habitualidade ou familiaridade de modo coerente. Então, o desvio está apenas no item apontado pelo gabarito.

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