“O que eu poderia fazer para vos demonstrar, senhores, a utilidade da agricultura? Quem atende nossas necessidades? Quem fornece meios para nossa subsistência? Não é o agricultor? O agricultor, senhores, que semeia os campos, faz nascer o trigo, o qual, transformado em farinha e levado para as cidades e aos padeiros, torna-se alimento para os ricos e pobres. Não é ainda o agricultor que alimenta, para nossas roupas, seus rebanhos nas pastagens? Como nos vestiríamos ou nos alimentaríamos sem o agricultor?” Sobre o fragmento argumentativo acima, é correto afirmar que:
- A)o argumento utilizado para a defesa da tese é o da autoridade, fundamentada na opinião do argumentador;
Errada: o texto não usa argumento de autoridade nem se apoia na opinião pessoal do argumentador, mas em exemplos racionais sobre a função do agricultor.
- B)a tese defendida se apoia em dois argumentos, fundamentados no conhecimento livresco dos cidadãos;
Errada: não há conhecimento livresco dos cidadãos como base da tese; o texto trabalha com fatos e relações práticas do cotidiano.
- C)o termo “ainda” mostra a passagem do primeiro para o segundo argumento empregado na defesa da tese;
Certa: o termo "ainda" introduz um acréscimo argumentativo, marcando a passagem do primeiro para o segundo argumento em defesa da tese.
- D)a última pergunta do texto tenta convencer o leitor sobre a tese proposta, apoiada na intimidação;
Errada: a última pergunta é retórica e busca reforçar a conclusão, não intimidar o leitor.
- E)o convencimento do ouvinte, nesse texto, é feito exclusivamente por meio da racionalidade.
Errada: o texto é racional, mas não exclusivamente, porque também recorre a perguntas retóricas para envolver o interlocutor.
Gabarito: C
Neste fragmento, a argumentação é construída de forma bem direta e persuasiva: o autor faz perguntas retóricas, responde a elas em sequência e leva o leitor a aceitar a utilidade da agricultura como algo evidente. Em texto argumentativo, isso é muito comum quando se quer conduzir o interlocutor pelo raciocínio, sem depender de ataque, intimidação ou apelo emocional exagerado. O ponto central aqui é a organização dos argumentos. Primeiro, o texto mostra que o agricultor atende às necessidades de subsistência, porque produz o trigo e o alimento. Depois, amplia a ideia e mostra que ele também contribui para o vestuário, ao alimentar rebanhos que fornecem matérias-primas. Ou seja, há uma passagem lógica de um argumento para outro. É exatamente isso que a alternativa C percebe quando destaca o termo "ainda": ele funciona como marcador de acréscimo, de continuação da linha argumentativa, sinalizando que o autor não ficou no primeiro exemplo e acrescentou outro para reforçar a tese. Em provas da FGV, vale muito observar esses conectivos, porque eles entregam a estrutura do texto quase de bandeja. Então, o gabarito é C porque o fragmento usa um primeiro argumento ligado à alimentação e, em seguida, um segundo, ligado ao vestuário, com "ainda" marcando essa progressão. O efeito é de reforço racional, com organização e encadeamento de ideias, não de autoridade pessoal nem de intimidação.