Assinale a afirmação que não se coaduna com o modo narrativo de organização discursiva.
- A)Uma narrativa envolve ações e/ou acontecimentos em sucessão cronológica.
Certa: a narrativa normalmente apresenta ações e acontecimentos em sequência cronológica.
- B)O narrador de um texto pode ser basicamente um observador dos fatos ou participar deles como personagem.
Certa: o narrador pode ser observador externo ou personagem da própria história.
- C)Os temas de uma narração podem ser bastante variados, gerando narrativas históricas, ficcionais, policiais, de mistério, de ficção científica etc.
Certa: há narrativas de vários tipos, como históricas, policiais, ficcionais e de mistério.
- D)O tempo verbal básico de uma narrativa é o pretérito imperfeito do indicativo, podendo ser também o presente do indicativo (presente histórico).
Errada: o tempo básico da narrativa não é o pretérito imperfeito, e sim o pretérito perfeito, com o imperfeito geralmente servindo de apoio descritivo.
- E)Os verbos, advérbios e conjunções temporais desempenham papel crucial no texto narrativo.
Certa: verbos, advérbios e conjunções de tempo são essenciais para marcar a progressão narrativa.
Gabarito: D
No modo narrativo, o texto apresenta fatos, ações e acontecimentos em sequência, como se a história estivesse andando na sua frente. Por isso, ele costuma organizar eventos no tempo, com marcas claras de anterioridade, posterioridade e simultaneidade. Verbos, advérbios e conjunções temporais ajudam muito nessa engrenagem, porque são eles que “costuram” a história e dão fluidez ao relato. O narrador pode contar como observador, quando apenas relata o que viu ou sabe, ou pode participar da ação como personagem. Também é normal encontrar narrativas de vários tipos: históricas, ficcionais, policiais, de mistério, científicas e por aí vai. Em suma, a narrativa é um modo de organizar o discurso em torno de fatos em desenvolvimento. O ponto problemático da alternativa D é o tempo verbal básico. Em narrativa, o mais típico é o pretérito perfeito do indicativo, que marca ação concluída e impulsiona a sequência dos fatos. O pretérito imperfeito aparece bastante, mas como pano de fundo, descrição, hábito ou cenário, não como tempo básico da narração. O presente do indicativo também pode aparecer no chamado presente histórico, mas como recurso estilístico. Então, a afirmação D não se coaduna com o modo narrativo porque troca o tempo central da narrativa por outro que tem função secundária. Essa é uma distinção clássica da gramática textual e da tipologia textual ensinada em manuais como os de Bechara e Cereja & Magalhães: narrativa não é só contar o que aconteceu, mas organizar a ação em progressão temporal, geralmente com pretérito perfeito como eixo principal.