Assinale a frase em que a classe gramatical do vocábulo “que” está corretamente indicada.
- A)Depois dizem que eu não faço chover. / pronome interrogativo.
Errada, porque em “dizem que eu não faço chover” o “que” é conjunção integrante, introduzindo uma oração subordinada substantiva.
- B)Ela tinha um quê de esquisito no olhar. / interjeição.
Errada, porque “quê” em “um quê de esquisito” funciona como substantivo, não como interjeição.
- C)Os torcedores tiveram que sair da arquibancada. / conjunção integrante.
Errada, porque em “ter que sair” o “que” não é conjunção integrante; ele integra uma locução de sentido obrigativo, com valor aproximado de preposição.
- D)Não sei que dia é hoje. / advérbio de tempo.
Errada, porque em “que dia é hoje” o “que” é pronome interrogativo/adjetivo interrogativo, e não advérbio de tempo.
- E)Com fé você vence. Sem fé, passa para trás os que venceram. / pronome relativo.
Certa, porque em “os que venceram” o “que” retoma um antecedente e liga a oração subordinada ao termo anterior, exercendo função de pronome relativo.
Gabarito: E
O vocábulo “que” é um verdadeiro coringa da língua portuguesa: ele pode funcionar como pronome, conjunção, partícula expletiva, preposição e até substantivo, dependendo do contexto. Em prova, o segredo é não decorar uma etiqueta solta, mas olhar a função que ele exerce na frase. A FGV gosta justamente dessa troca de roupa do “que” para ver se você identifica a função sintática real. Na alternativa E, o “que” em “os que venceram” retoma o antecedente implícito em “os” e introduz uma oração que caracteriza esse termo. Por isso, ele funciona como pronome relativo. Aqui, “os que venceram” equivale a “aqueles que venceram”, isto é, o pronome relativo liga a oração subordinada ao termo anterior. As demais alternativas erram porque chamam o “que” de uma classe que não corresponde ao uso do contexto. Em questões assim, a banca mistura usos parecidos para confundir: “que” pode até aparecer em estruturas fixas ou em perguntas, mas a classificação só é correta quando você enxerga a relação que ele estabelece na frase. É aquele caso clássico: o mesmo vocábulo, funções diferentes, e a prova apostando no seu vacilo.