Um dos Evangelhos mostra o seguinte segmento: “É mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus”. Sobre esse segmento, assinale a afirmativa correta
- A)Os termos “camelo” e “rico” se mostram como opostos.
Errada, porque "camelo" e "rico" não são opostos: um é imagem comparativa e o outro é o sujeito da ação, não um par antônimo.
- B)A preposição DE em “buraco de uma agulha” indica posse.
Errada, porque em "buraco de uma agulha" a preposição "de" indica complemento nominal ou especificação, não posse.
- C)A frase critica pobres e ricos.
Errada, porque o segmento não critica pobres e ricos ao mesmo tempo; a crítica recai sobre a dificuldade espiritual ligada à riqueza.
- D)A frase não mostra implicações religiosas.
Errada, porque a frase está inserida em um contexto explicitamente religioso, falando do "Reino de Deus".
- E)A entrada de um rico no Reino de Deus é vista como impossível.
Certa, porque o enunciado usa uma comparação hiperbólica para afirmar que a entrada de um rico no Reino de Deus é tratada como praticamente impossível.
Gabarito: E
A questão pede leitura atenta do sentido da frase, não apenas caça-palavras. O trecho usa uma comparação extrema: entrar um camelo pelo buraco de uma agulha é algo praticamente impossível, e essa imagem serve para reforçar a dificuldade de um rico entrar no Reino de Deus. Em linguagem bíblica, a ideia é de impossibilidade ou de extrema improbabilidade, como recurso de hipérbole, para provocar reflexão moral e espiritual. Perceba que o foco do texto não é uma discussão sobre zoologia nem sobre costura, mas sobre o apego às riquezas e seus efeitos espirituais. A oposição está entre a imagem absurda do camelo e a entrada de um rico no Reino de Deus, deixando claro que a passagem quer chamar atenção para a dificuldade envolvida. Por isso, a alternativa correta é a que reconhece essa leitura de impossibilidade. Na tradição cristã, esse tipo de enunciado é interpretado como advertência contra a confiança excessiva nos bens materiais. Não é uma tese de exclusão automática, mas uma afirmação enfática, usada para mostrar o obstáculo espiritual que a riqueza pode representar. Em prova da FGV, vale sempre desconfiar de alternativas que simplificam demais o sentido figurado do texto ou transformam a imagem em algo literal.