Assinale o período que traz em sua estruturação uma oração consecutiva.
- A)Engolimos de uma vez a mentira que nos adula e bebemos gota a gota a verdade que nos amarga.
Errada: há coordenação entre ações e orações adjetivas (“que nos adula”, “que nos amarga”), sem ideia de consequência.
- B)Se você falar a verdade, não precisará se lembrar de nada.
Errada: a oração iniciada por “se” é condicional, pois estabelece condição para a ação principal.
- C)Se você pensa que o problema está ruim agora, espere até nós o resolvermos.
Errada: a oração com “se” também é condicional, e não consecutiva, porque apresenta hipótese.
- D)Apenas porque você ouviu uma coisa tantas vezes que te chateia, não significa que não seja verdade.
Certa: a sequência “tantas vezes que te chateia” expressa consequência da repetição excessiva.
- E)O pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso.
Errada: a oração “que ninguém tem nada com isso” é completiva, funcionando como predicativa do substantivo “pior”.
Gabarito: D
A oração consecutiva é aquela que indica uma consequência, um resultado, geralmente ligado a uma ideia de intensidade anterior. Em português, ela costuma aparecer com estruturas como “tão... que”, “tal... que”, “tamanho... que”, “de modo que”, entre outras. Na prática, ela responde à pergunta: “qual foi o efeito disso?”. Na banca, o ponto de atenção é perceber que nem toda oração introduzida por “que” é consecutiva. Às vezes o “que” vem em uma oração explicativa, causal, completiva ou até em uma construção de intensidade disfarçada. Então, o segredo é olhar a relação de sentido, não só a palavra de ligação. Na alternativa D, a ideia é clara: “tantas vezes que te chateia” mostra que a repetição em excesso gera o efeito de irritar. Ou seja, a oração “que te chateia” expressa consequência do fato de a coisa ser ouvida repetidas vezes. É justamente a marca da consecutiva: um fato antecedente produz um resultado. Por isso o gabarito é D. A estrutura tem valor consecutivo, mesmo sem o clássico “tão... que” explícito. A banca FGV gosta muito dessa leitura de sentido: você não caça só conectivos, você caça a relação lógica entre as orações.