Assinale a frase que mostra problemas de correção com o emprego do acento grave indicativo da crase.
- A)Os sábios dizem que a vossa luz se apagará um dia, disseram os vagalumes às estrelas. Estas, porém, não responderam nada.
Correta, pois não há qualquer emprego de crase problemático na frase.
- B)Fique atento à tartaruga; ela faz progresso apenas quando estica o pescoço.
Correta, porque há a fusão de preposição exigida por “atento” com artigo feminino em “à tartaruga”.
- C)Se achares três reais leva-os à polícia; se achares três mil reais, leva-os a um banco.
Correta, já que “levar a” pede preposição e “polícia” admite artigo feminino, formando crase; em “a um banco” não há crase porque “banco” vem precedido de artigo indefinido.
- D)Às vezes, só uma mudança de ponto de vista é suficiente para transformar uma obrigação numa interessante oportunidade.
Correta, porque em “às vezes” a crase é obrigatória em locução adverbial feminina; o restante da frase está adequado.
- E)Dinheiro é igual à táxi: quando você mais precisa, ele não aparece.
Errada, pois não se usa crase antes de palavra masculina; o correto é “igual a táxi”, sem acento grave.
Gabarito: E
Crase nada mais é do que a fusão da preposição “a” com o artigo feminino “a” ou com pronomes que admitem esse encontro. Na prática, você só põe o acento grave quando houver essa combinação. Por isso, expressões como “à polícia” e “às vezes” estão corretas: “polícia” admite artigo feminino, e “vezes” também aparece com artigo nesse uso consagrado. O pulo do gato é perceber quando o termo seguinte não aceita artigo. Aí não existe encontro de “a + a”, então não há crase. Isso acontece, por exemplo, antes de palavras masculinas, como em “a táxi”, ou em construções em que o complemento não pede artigo feminino. Na frase da letra E, o problema está justamente em “igual à táxi”. O substantivo “táxi” é masculino, então o correto seria “igual a táxi”, sem acento grave. A crase não pode aparecer antes de palavra masculina. Esse é um ponto básico da gramática normativa e a FGV costuma cobrar esse tipo de leitura fina, sem misericórdia, mas com elegância. Resumo prático: antes de atacar a questão, faça a pergunta mental “posso substituir por um termo masculino equivalente e manter a estrutura?”. Se a resposta mostrar que não há artigo feminino ali, a crase cai fora. Aqui, o erro está exatamente nessa presença indevida do acento.