Em todas as opções abaixo há uma oração adjetiva sublinhada; aquela em que essa oração foi adequadamente substituída por um adjetivo, é:
- A)Não se pode falar mal senão das pessoas que se conhece bem. / célebres.
Errada: "célebres" significa famosas, mas a oração "que se conhece bem" indica conhecidas, não celebridade.
- B)Há quatro coisas que eu de bom grado dispensaria: amor, curiosidade, sardas e dúvidas. / bem dispensáveis.
Certa: "que eu de bom grado dispensaria" foi bem resumida por "bem dispensáveis", com o mesmo valor de caracterização.
- C)O homem livre é aquele que não tem medo de ir até o fim do seu pensamento. / temeroso.
Errada: "temeroso" expressa medo, mas a oração destaca quem não tem medo de ir até o fim do pensamento, ideia que não coincide com o adjetivo dado.
- D)As atitudes que mostram retidão geralmente conduzem as coisas a bom termo. / diretas.
Errada: "diretas" não resume adequadamente "que mostram retidão"; retidão aqui remete mais a correção moral do que a simplicidade ou objetividade.
- E)Homem absurdo é aquele que não muda. / radical.
Errada: "radical" não substitui com fidelidade "que não muda", pois a ideia é de imutabilidade, não de extremismo ou radicalidade.
Gabarito: B
A oração adjetiva é aquela que vem para qualificar um substantivo, como se fosse um adjetivo em versão mais explicadinha. Em vez de dizer só uma palavra, a frase inteira descreve a ideia: "as pessoas que se conhece bem" equivale a pessoas conhecidas, por exemplo. O truque da questão é trocar a oração por um adjetivo que preserve o sentido básico da caracterização. Na alternativa B, "quatro coisas que eu de bom grado dispensaria" pode ser reescrito como "quatro coisas bem dispensáveis". Aqui a oração "que eu de bom grado dispensaria" indica justamente uma qualidade dessas coisas: elas são dispensáveis. O adjetivo "dispensáveis", reforçado por "bem", substitui adequadamente a oração sem quebrar a lógica da frase. Nas outras alternativas, a troca não funciona com a mesma precisão semântica. Em concursos da FGV, isso aparece bastante: não basta achar qualquer adjetivo bonito, ele precisa dizer a mesma ideia da oração adjetiva. Se o sentido escorrega, a banca não perdoa.