Assinale a frase em que a inversão de posição dos segmentos provoca alteração no sentido original.
- A)Saber escolher o tempo é saber economizar tempo. / Saber economizar tempo é saber escolher o tempo.
Errada, porque a inversão mantém o mesmo sentido: escolher o tempo e economizar tempo são ideias equivalentes na frase.
- B)Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo. / Não percamos tempo, mas não tenhamos pressa.
Errada, pois a troca não altera o sentido central de moderação e aproveitamento do tempo.
- C)O amanhã será diferente e dependerá de nós. / O amanhã dependerá de nós e será diferente.
Errada, já que as duas versões conservam a mesma relação de dependência e de diferença em relação ao amanhã.
- D)A melhor maneira de prever o futuro é inventá-lo. / A melhor maneira de inventar o futuro, é prevê-lo.
Certa, porque a inversão troca a relação entre prever e inventar, alterando o sentido original da frase.
- E)O dia de amanhã ninguém usou. Pode ser seu. / O dia de amanhã pode ser seu, pois ninguém usou.
Errada, porque a segunda formulação apenas reorganiza a informação sem mudar o conteúdo semântico.
Gabarito: D
A questão explora a relação entre ordem dos segmentos e sentido da frase. Em português, mudar a posição das ideias nem sempre é apenas uma troca de roupa: às vezes, a frase continua dizendo a mesma coisa, mas em outras a inversão cria outra relação lógica, outro foco ou até outro significado. Por isso, você precisa ler com atenção o valor semântico da conexão entre as partes, e não só a beleza da construção. Nas alternativas, a banca colocou pares muito parecidos para testar se você percebe se a segunda versão mantém a mesma ideia da primeira ou se altera a função dos termos. Em geral, quando há coordenação simples, a troca costuma preservar o sentido. Mas quando a frase traz uma estrutura fixa, com verbo, complemento e ideia de finalidade, a ordem pode ser decisiva. É o caso clássico de uma formulação em que prever e inventar não são equivalentes. No item D, a frase original diz que a melhor maneira de prever o futuro é inventá-lo, isto é, a ação de inventar vem como meio de realizar o ato de prever. Já a reescrita inverte essa lógica e passa a sugerir que a melhor maneira de inventar o futuro é prevê-lo, o que muda a relação entre causa e finalidade. Em outras palavras: trocar a ordem trocou a ideia principal. A norma culta aceita inversões quando a sintaxe e o sentido permanecem íntegros, mas aqui isso não acontece. Na prática de prova, o segredo é perguntar: "se eu troco os segmentos de lugar, a frase continua afirmando exatamente a mesma coisa?" Se a resposta for não, como ocorreu aqui, o item é o escolhido. A FGV adora esse tipo de leitura fina, em que a gramática conversa com a interpretação sem avisar antes.