Assinale a opção em que a substituição de uma locução por um só vocábulo é feita de forma adequada.
- A)Odeio as almas estreitas, sem bálsamo nem veneno. / bondosas.
Errada, porque “sem bálsamo nem veneno” descreve uma característica de pessoas frias ou insensíveis, não “bondosas”.
- B)A única amizade que vale é a que nasce sem motivos. / repentinamente.
Errada, porque “sem motivos” significa “sem razão” ou “imotivadamente”, e não “repentinamente”.
- C)Há muitas vidas sem sorte. / prazerosas.
Errada, porque “sem sorte” equivale a “azaradas” ou “infelizes”, não a “prazerosas”.
- D)Muitos brasileiros estão sem trabalho. / preguiçosos.
Errada, porque “sem trabalho” quer dizer “desempregados”, e não “preguiçosos”.
- E)Trabalhar sem pressa é fazer a tarefa uma só vez. / calmamente, lentamente.
Certa, porque “sem pressa” pode ser substituído adequadamente por “calmamente” ou “lentamente”, mantendo a ideia de ação sem urgência.
Gabarito: E
A questão trabalha a substituição de uma locução por um vocábulo equivalente, isto é, você precisa perceber se a palavra escolhida realmente preserva o sentido da expressão original. Em prova de Português, a banca adora trocar um grupo de palavras por um adjetivo ou advérbio aparentemente parecido, mas com sentido torto. Aqui, o segredo é semântica, não “intuição poética”. Na alternativa E, “sem pressa” indica uma ação feita sem urgência, com calma, vagarosamente. Por isso, a substituição por “calmamente, lentamente” é adequada: os vocábulos mantêm a ideia de modo tranquilo e sem aceleração. A frase continua coerente e fiel ao sentido original. As demais opções escorregam no significado. “Sem bálsamo nem veneno” não quer dizer “bondosas”; “sem motivos” não é “repentinamente”; “sem sorte” não é “prazerosas”; e “sem trabalho” não significa “preguiçosos”. Em todas elas, a banca testa se você identifica o valor real da locução, e não apenas uma associação solta de palavras. Então, a lógica é simples: quando a locução indica circunstância, você deve procurar um vocábulo que reproduza essa circunstância sem mudar o sentido. É exatamente isso que acontece em E. Esse tipo de substituição é um exercício clássico de equivalência semântica, muito comum em questões da FGV.