“Na ata minuciosa empregam-se dois tipos de discurso. a) o discurso indireto, que é a fala do secretário, como relator dos fatos da reunião. A indicação dessa fala na ata é feita com travessão: – Procede-se à verificação de votação.” “– Votam “sim” as deputadas e os deputados...” b) o discurso direto, que é a reprodução da fala do presidente, dos deputados e convidados, no tempo verbal utilizado.” Todas as frases abaixo foram ditas por um hipotético deputado no plenário e foram reproduzidas em discurso indireto uma semana depois. Assinale a opção em que essa passagem do discurso direto para o indireto foi feita de forma adequada.
- A)Eu ontem não estava presente neste plenário / Ele disse que ontem não estava presente naquele plenário.
Errada, porque “ontem” e “neste plenário” deveriam ser ajustados na passagem para o discurso indireto, e a estrutura temporal ficou inadequada.
- B)A votação do projeto me impressionou pela rapidez / Ele disse que a votação do projeto o impressionara pela rapidez
Certa, porque houve ajuste do pronome (“me” para “o”) e recuo verbal adequado (“impressionou” para “impressionara”).
- C)Amanhã eu levarei o resultado da votação ao Presidente / Ele disse que levará amanhã o resultado da votação ao Presidente.
Errada, porque “amanhã” pede mudança de perspectiva temporal e o verbo também não ficou bem adaptado ao discurso indireto.
- D)Agora chegou o momento da votação / Ele disse que agora tinha chegado o momento da votação.
Errada, porque “agora” não se mantém igual no discurso indireto e a forma verbal não acompanhou corretamente a mudança de foco narrativo.
- E)Depois de amanhã a Câmara votará também este projeto / Ele disse que depois de amanhã a Câmara votaria aquele projeto.
Errada, porque “depois de amanhã” e “este” exigem adaptação temporal e de referência, o que não foi feito de modo adequado.
Gabarito: B
Na passagem do discurso direto para o indireto, voce precisa ajustar pronome, tempo verbal e, muitas vezes, os marcadores de tempo e lugar. A fala do deputado, dita no plenário e relatada uma semana depois, não pode ser repetida do mesmo jeitinho: o português “puxa” a referência para o momento da narração. Por isso, expressões como “eu”, “me”, “aqui”, “agora”, “amanhã” e “este” costumam mudar para formas compatíveis com a nova perspectiva: “ele”, “o”, “ali”, “naquele momento”, “no dia seguinte”, “aquele”. Além disso, o verbo pode recuar no tempo, principalmente quando a fala original está no pretérito e vira uma informação passada na narração. No gabarito B, isso foi feito corretamente. “A votação do projeto me impressionou pela rapidez” virou “Ele disse que a votação do projeto o impressionara pela rapidez”. Aqui, “me” passou para “o” e “impressionou” foi recuado para “impressionara”, mantendo a ideia de anterioridade em relação ao verbo dicendi (“disse”). Esse é o caminho clássico cobrado em prova: adaptar a fala ao ponto de vista do narrador, sem perder o sentido original. A FGV adora esse jogo de espelhos, especialmente com pronomes e tempos verbais.