Entre as frases abaixo, assinale aquela que identifica corretamente a relação lógica entre os segmentos destacados.
- A)Não tenhamos pressa, / mas não percamos tempo. – Explicação.
Errada, porque a relação entre os segmentos é de oposição ou contraste, não de explicação.
- B)A muleta do tempo é mais trabalhadora / que a rápida clava de Hércules. - Comparação.
Certa, porque a construção “mais ... que” marca comparação entre os dois segmentos.
- C)Há pessoas tão chatas / que nos fazem perder um dia em cinco minutos. – Conclusão.
Errada, porque a estrutura expressa consequência, e não conclusão.
- D)Não somos nós quem perdemos tempo. / É o tempo que nos perde. – Concessão.
Errada, porque há uma ideia de contraste ou reformulação enfática, não de concessão.
- E)À medida que tenho menos tempo para praticar as coisas, / menos curiosidade tenho por aprendê-las. – Consequência.
Errada, porque a locução “à medida que” indica proporcionalidade/tempo simultâneo, não consequência.
Gabarito: B
A questão pede que voce reconheça a relação lógica entre duas partes da frase. Em Português, isso aparece muito quando uma oração ou segmento expressa comparação, causa, consequência, conclusão, concessão, explicação e por aí vai. O segredo é olhar para o sentido, não apenas para a pontuação ou para palavras soltas que parecem “dar pista”. Na alternativa correta, a estrutura “mais trabalhadora que” deixa a comparação explícita. O segundo segmento funciona como termo comparativo, colocando uma ideia em paralelo com a outra. Aqui não há explicação, conclusão nem concessão: há simplesmente uma comparação entre a “muleta do tempo” e a “rápida clava de Hércules”. É exatamente esse tipo de leitura que a FGV gosta de cobrar: você precisa identificar a relação sem se deixar enganar por frases bem construídas, mas semanticamente diferentes. A gramática tradicional trata essas relações como conectivos ou valores semânticos de orações e termos, e a comparação costuma aparecer com marcas claras como “mais... que”, “menos... que”, “tão... quanto”. Portanto, o gabarito é a letra B porque o conector “que”, associado ao “mais...”, estabelece comparação direta entre os dois segmentos. As outras alternativas até têm aparência de relação lógica, mas o sentido real não bate com o rótulo dado.