Assinale a opção que mostra uma impropriedade léxica, ou seja, um emprego inadequado da expressão “graças a”.
- A)Graças aos treinos da semana, o time apresentou-se bem.
Certa: os treinos são uma causa favorável para o bom desempenho do time.
- B)O caminhão bateu no poste graças ao óleo derramado na pista.
Errada: o óleo na pista causou o acidente, então a locução adequada não é de causa favorável.
- C)Os alunos escreviam bem graças às leituras que faziam, por recomendação dos professores.
Certa: as leituras contribuíram positivamente para a boa escrita dos alunos.
- D)Graças ao tempo disponível, o operário completou a tarefa.
Certa: o tempo disponível favoreceu a conclusão da tarefa pelo operário.
- E)Os fiéis davam sempre graças a Deus pelos bens recebidos.
Certa: aqui “dar graças a Deus” é uma expressão fixa de agradecimento.
Gabarito: B
A expressão “graças a” costuma indicar causa favorável, isto é, algo que produz um resultado bom ou positivo. Por isso ela aparece naturalmente em frases como “graças aos treinos” ou “graças às leituras”, em que o esforço ajuda no bom resultado. É uma locução muito comum em textos formais e informais, e o segredo é simples: se a causa é positiva, “graças a” costuma funcionar bem. Quando a causa é negativa, a ideia muda completamente. Nesse caso, o mais adequado é usar “por causa de”, “devido a” ou “em razão de”. Dizer que um caminhão bateu “graças ao óleo derramado na pista” soa inadequado porque o óleo não foi uma ajuda, e sim o motivo do acidente. A locução fica sem lógica semântica, quase com ironia involuntária. O item B, portanto, é o gabarito porque emprega “graças a” com valor de causa desfavorável, o que fere o uso léxico esperado. Já em E a expressão está correta em sentido religioso e idiomático: “dar graças a Deus” significa agradecer, não indicar causa de um evento. Em provas da FGV, vale sempre conferir se a locução combina com o sentido da frase. Às vezes a banca troca a armadilha sem mudar a gramática: a frase está “bonitinha”, mas o significado escorrega.