Observe o seguinte texto do escritor Mário da Silva Brito: “Os judeus esperam, até hoje, pelo seu Messias, mas, no fundo, torcem para que ele não venha: temem que também ele os persiga”. Assinale a afirmativa inadequada em função da frase acima.
- A)A frase faz uma referência implícita a um fato religioso, o da espera de um Messias pelos judeus.
Certa: há referência implícita ao fato religioso da espera judaica pelo Messias.
- B)O escritor indica a presença do antissemitismo em nossa sociedade moderna.
Certa: a frase sugere a perseguição histórica aos judeus, associada ao antissemitismo.
- C)O expressão “até hoje” mostra que o autor da frase considera o tempo de espera como demasiadamente longo.
Certa: "até hoje" reforça a ideia de uma espera muito prolongada.
- D)O segmento colocado após os dois pontos (:) traz a explicação de algo dito anteriormente.
Certa: os dois pontos introduzem a explicação/justificativa do que veio antes.
- E)O emprego do possessivo “seu” na expressão “seu Messias” mostra as ligações afetivas em relação a esse Messias.
Errada: "seu" indica pertencimento ou referência aos judeus, não necessariamente ligação afetiva.
Gabarito: E
A questão mistura interpretação com um detalhe de morfologia: o valor do pronome possessivo. Em geral, "seu" pode indicar posse, pertencimento, relação ou até produzir sentido mais subjetivo, dependendo do contexto. Por isso, não basta olhar a palavra isolada; você precisa ver o que ela está fazendo na frase. No trecho "seu Messias", o possessivo retoma os judeus e mostra a ideia de vínculo religioso: o Messias esperado por eles. Aqui, o valor principal é de pertencimento ou referência, não de afeto. Ou seja, o pronome não está dizendo que existe uma relação carinhosa com o Messias, mas que ele é o Messias aguardado por aquele grupo. A alternativa inadequada é a letra E porque exagera o efeito do possessivo ao dizer que ele mostra "ligações afetivas". Esse tipo de leitura é forçada e não se sustenta pelo texto. Em prova da FGV, cuidado: a banca adora transformar um simples possessivo em sentimento profundo, quase novela das 9. As demais alternativas caminham bem na interpretação global do texto: há referência religiosa aos judeus e ao Messias, há crítica implícita ao antissemitismo, o "até hoje" reforça uma espera longa, e os dois pontos introduzem uma explicação do que foi dito antes.