Leia o texto a seguir. A ignorância não pode servir de álibi a ninguém para violar a gramática, a Constituição de nossa língua. Entretanto, as transgressões da norma culta são recursos às vezes indispensáveis a romancistas, contistas e poetas. Sobre a estruturação ou conteúdo do texto lido, assinale a afirmativa correta.
- A)A língua literária tem momentos aceitáveis de transgressão à norma culta.
Certa: o texto afirma que as transgressões da norma culta podem ser recursos indispensáveis em escritores, ou seja, a língua literária admite desvios intencionais.
- B)A expressão servir de álibi mostra a permissão jurídica de desrespeitar a norma culta.
Errada: 'servir de álibi' é usado em sentido figurado, não como permissão jurídica para desrespeitar a norma culta.
- C)O termo entretanto mostra a oposição entre a gramática e a Constituição.
Errada: 'entretanto' opõe a ideia de ignorância como desculpa à ideia de transgressão consciente na literatura, e não faz oposição entre gramática e Constituição.
- D)A comparação entre a gramática e a Constituição mostra o valor ditatorial da linguagem correta.
Errada: o texto não sugere linguagem autoritária ou ditatorial; a comparação com 'Constituição' é apenas metafórica, para reforçar a ideia de norma fundamental.
- E)A ignorância torna aceitáveis alguns erros no uso da linguagem.
Errada: o texto diz o contrário, porque a ignorância não pode justificar a violação da gramática.
Gabarito: A
O texto faz uma defesa da língua literária: nem toda transgressão da norma culta é erro gratuito. Em textos de romance, conto e poesia, o autor pode quebrar a regra de propósito para criar estilo, ritmo, oralidade, efeito de sentido ou caracterização de personagem. Ou seja, a norma existe, mas a literatura às vezes a dobra com inteligência - não por ignorância. A primeira frase já afasta uma desculpa fácil: ignorância não justifica violar a gramática. Depois, o texto corrige a ideia central: embora a norma culta seja a referência, escritores podem transgredi-la quando isso serve à construção estética. É exatamente essa a leitura que a banca quer: entender o contraste entre erro por desconhecimento e quebra consciente da regra com finalidade expressiva. Por isso, a alternativa correta é a que afirma que a língua literária admite momentos de transgressão à norma culta. Isso está em linha com a noção de licença poética e com a tradição literária de usar desvios como recurso expressivo. Não se trata de liberar tudo, mas de reconhecer que, na literatura, a forma pode ser subvertida com intenção. As demais alternativas tentam distorcer o sentido do texto: falam em permissão jurídica, em oposição entre termos que não estão em confronto, ou em valor ditatorial da linguagem, tudo sem apoio no trecho. Aqui, a chave é simples: o texto não absolve a ignorância, mas legitima a quebra consciente da norma quando ela produz efeito literário.