Abaixo foram copiadas cinco frases; a todas elas foram anexadas vírgulas. Assinale a opção em que a vírgula foi acrescentada corretamente.
- A)O tempo não dura para os mortos / o tempo não dura, para os mortos.
Errada: a vírgula separa indevidamente o complemento preposicionado “para os mortos”, que não deve ser destacado.
- B)Um bebê é a opinião de Deus de que a vida deve continuar / Um bebê é a opinião de Deus, de que a vida deve continuar.
Errada: a vírgula não deve separar o complemento nominal ou explicativo “de que a vida deve continuar” dessa forma, pois a estrutura fica artificial.
- C)A melhor morte é aquela que nos satisfaz / A melhor morte é aquela, que nos satisfaz.
Errada: a vírgula antes de “que nos satisfaz” separa de modo indevido a oração subordinada adjetiva restritiva.
- D)Se eu soubesse que ia viver tanto tempo teria me cuidado melhor / Se eu soubesse que ia viver tanto tempo, teria me cuidado melhor.
Certa: a oração subordinada adverbial condicional vem antes da principal e deve ser isolada por vírgula.
- E)A idade em que tudo se reparte é geralmente a idade em que nada se tem / A idade em que tudo se reparte é geralmente a idade, em que nada se tem.
Errada: a vírgula antes de “em que nada se tem” quebra indevidamente a oração subordinada adjetiva restritiva.
Gabarito: D
A vírgula, em regra, separa termos e orações que estejam deslocados, intercalados ou com valor explicativo. Mas ela não pode ser usada de qualquer jeito: quando a estrutura está “colada” pela sintaxe, a vírgula costuma atrapalhar mais do que ajudar. Em prova de pontuação, a banca adora testar isso com orações subordinadas, especialmente as adverbiais, que frequentemente vêm na frente da oração principal. Na frase do gabarito, a oração “Se eu soubesse que ia viver tanto tempo” é uma oração subordinada adverbial condicional, isto é, traz uma hipótese. Como ela aparece antes da principal (“teria me cuidado melhor”), a vírgula é obrigatória para marcar a pausa sintática entre a condição e a consequência. Fica assim: “Se eu soubesse que ia viver tanto tempo, teria me cuidado melhor.” Perceba que o uso da vírgula aqui não é decorativo: ela organiza a leitura e deixa claro onde termina a condição. Sem ela, a frase fica truncada e menos nítida. Isso é compatível com a gramática normativa tradicional, como em Celso Cunha e Lindley Cintra, que tratam a vírgula como marca de separação entre oração subordinada adverbial anteposta e oração principal. Resumo de prova: oração adverbial antes da principal geralmente pede vírgula; se estiver depois, a vírgula tende a ser facultativa ou dispensada, dependendo do caso. Aqui, a anteposição da condição resolve a questão e confirma o gabarito.