Assinale a frase a seguir em que os termos sublinhados não formam uma antítese.
- A)Fale bem dos amigos todos os dias. Fale mal dos inimigos pelo menos duas vezes por dia.
Errada, porque “falar bem” e “falar mal” criam contraste direto entre ideias opostas, caracterizando antítese.
- B)Ele não sabe nada e pensa que sabe tudo. Isso aponta claramente para uma carreira política.
Errada, porque “não sabe nada” e “pensa que sabe tudo” opõem ignorância e presunção, formando antítese.
- C)A paz faz crescerem as coisas pequenas; a guerra destrói as grandes.
Errada, porque “paz” e “guerra”, “pequenas” e “grandes” são pares de sentido oposto, típicos de antítese.
- D)Dos amos, devemos temer tanto sua ira como seu afeto.
Certa, porque “ira” e “afeto” aparecem como dois traços do mesmo sujeito, mas sem oposição expressiva suficiente para configurar antítese.
- E)A caneta que nomeia é a mesma que demite.
Errada, porque “nomeia” e “demite” expressam ações contrárias, criando contraste evidente entre os termos.
Gabarito: D
Antítese é a figura de linguagem que aproxima ideias de sentido oposto na mesma construção, como vida e morte, claro e escuro, paz e guerra. Em prova, a banca costuma misturar antítese com mera enumeração ou paralelismo, então você precisa olhar se há oposição real entre os termos, e não só uma frase bonita com dois elementos lado a lado. Na alternativa certa, os termos destacados não formam antítese porque “ira” e “afeto” não estão sendo usados como polos opostos para criar contraste expressivo. A estrutura “tanto... como...” apenas soma duas atitudes do amo que devem ser temidas: uma negativa e outra que também pode ser perigosa. Não há jogo de contrários, mas uma advertência sobre dois modos de agir. Nas outras alternativas, a oposição aparece com mais nitidez: saber nada x saber tudo, paz x guerra, nomeia x demite. Isso é o que a FGV gosta de cobrar: se houver contraste semântico direto, há antítese; se houver só dois termos em paralelo, sem oposição efetiva, não há. Então, o gabarito está correto porque a frase da letra D não opõe dois extremos para produzir contraste literário. Ela apenas encadeia dois substantivos em uma advertência de sentido semelhante, sem configurar a figura pedida.