Observe a frase a seguir. “Os deuses brincam com os homens como se fossem bolas.” O problema estrutural dessa frase é:
- A)a incoerência;
Errada, porque a frase não é ilógica; ela até transmite uma ideia, mas com duplo sentido.
- B)a ambiguidade;
Certa, porque a construção permite mais de uma interpretação para o trecho final.
- C)um erro de pontuação;
Errada, porque o problema não está nos sinais de pontuação, e sim no sentido da construção.
- D)a troca indevida de parônimos;
Errada, porque não há troca de palavras parecidas com som ou grafia semelhante.
- E)a falta de coesão.
Errada, porque os elementos da frase estão ligados, mas essa ligação gera interpretação dupla.
Gabarito: B
A frase traz um problema de sentido, não de forma. Quando dizemos "Os deuses brincam com os homens como se fossem bolas", a comparação fica mal amarrada, porque o pronome "se" abre espaço para mais de uma interpretação: quem seriam "bolas"? Os homens? Os deuses? A construção deixa a leitura escorregadia e confusa. Em provas de Gramática Normativa, isso costuma cair como ambiguidade, isto é, quando a frase permite mais de uma interpretação possível. Não é falta de coesão, porque os elementos até estão conectados; o problema é que a relação entre eles produz dupla leitura. Também não há erro de pontuação nem troca de palavras parecidas. Por isso o gabarito é a letra B. A estrutura da frase faz o leitor hesitar sobre o referente de "se fossem bolas", e essa duplicidade de sentido é exatamente o que caracteriza a ambiguidade. Em redação e em questões da FGV, essa é a clássica armadilha: a frase parece elegante, mas semanticamente dá voltas demais.